Carta revela que Vaticano rejeitou rito para bênção a casais homoafetivos em 2024
Documento foi divulgado após declarações do papa Leão XIV sobre o tema
Uma carta do Dicastério para a Doutrina da Fé datada de novembro de 2024 veio a público nesta semana e revelou que o Vaticano rejeitou ritos codificados para a bênção de casais homoafetivos já naquele ano, ainda no pontificado de Francisco.
A notícia chega após declarações recentes do papa Leão XIV, feitas em entrevista coletiva após viagem à África, nas quais ele afirmou ter comunicado aos bispos alemães a posição da Santa Sé contrária à formalização de bênçãos para casais do mesmo sexo.
A carta rejeita explicitamente a proposta de um manual litúrgico apresentado pelo bispo alemão de Trier, dom Stephen Ackermann, e afirma que a orientação pastoral vigente não autoriza a criação de ritos codificados para esse tipo de bênção.
O prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, teria reforçado que a declaração "Fiducia Supplicans", sobre a possibilidade de abençoar casais extraconjugais, "não permite nenhum tipo de rito litúrgico".
A carta também diz que o manual proposto pela diocese de Trier sugeria a adoção de "uma fórmula pré-estabelecida" para bênçãos, o que, na avaliação do Vaticano, ultrapassava os limites definidos pela doutrina atual.
Em dezembro de 2023, o Dicastério para a Doutrina da Fé, com o aval do papa Francisco, publicou uma declaração autorizando bênçãos pastorais a casais em "situação irregular", como os homoafetivos ou aqueles formados por pessoas divorciadas.
A medida provocou um terremoto na Igreja Católica e gerou críticas por parte de representantes das alas mais conservadoras do clero, porém Jorge Bergoglio sempre declarou que a permissão não poderia ser confundida com rituais formais.
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