Cansados da guerra, moradores de Kiev desafiam ameaça russa de novos ataques
Moradores de Kiev, cansados do conflito, estão ignorando a ameaça de Moscou de uma onda de ataques pesados contra a capital ucraniana como se não fosse novidade após anos de guerra, demonstrando uma confiança desafiadora em continuar.
A Rússia disse na segunda-feira que pretende lançar "ataques sistemáticos" contra alvos em Kiev e pediu aos estrangeiros e diplomatas que deixem o país.
Mas, apesar de um dos bombardeios mais pesados da guerra em Kiev há dois dias, os moradores entrevistados pela Reuters permaneceram determinados.
"Acho que essas ameaças são manipulação: mais voltadas para semear o pânico entre o público", disse Oleksandr Korzh, um ex-militar de 43 anos, à Reuters em Kiev.
"Ficarei na Ucrânia e ficarei em Kiev."
A Rússia tem atacado cidades ucranianas, incluindo Kiev, regularmente desde sua invasão em grande escala em 2022.
Um bombardeio pesado de mísseis e drones no domingo matou três pessoas, feriu mais de 90 e danificou cerca de 300 locais em toda a cidade, disseram as autoridades ucranianas.
Um ataque em 14 de maio matou 24 civis em Kiev.
"Honestamente, nosso povo está cansado disso, e eu também estou cansado dessa guerra", declarou Viktoriia Paramonova, 21 anos, barista em um café danificado pelos ataques de domingo.
RETALIAÇÃO
A Rússia disse que o ataque de domingo foi uma retaliação a um ataque de drone ucraniano na sexta-feira em um dormitório estudantil na região de Luhansk, ocupada pela Rússia, no leste da Ucrânia. Os militares ucranianos disseram que o ataque atingiu uma unidade de drones russos.
A Ucrânia tem enviado drones de longo alcance às profundezas da Rússia para atacar instalações de petróleo e gás, em uma tentativa de sufocar os recursos que sustentam sua máquina de guerra.
Kiev também tem como alvo a logística militar e os centros de comando e controle dentro do território ucraniano ocupado pela Rússia.
Mykola Bielieskov, do Instituto Nacional de Estudos Estratégicos da Ucrânia, duvidou que a Rússia pudesse aumentar drasticamente o ritmo e a escala dos ataques aéreos.
"Portanto, para ataques combinados na escala de 13-14 de maio ou 23-24 de maio, eles precisam acumular mísseis, pois não há capacidade ociosa, pessoas e dinheiro na Rússia para produzir muito mais do que a taxa de produção de mísseis alcançada em 2024-25", disse ele.
As ameaças russas são "fanfarronice", declarou Bielieskov, para desviar a atenção dos reveses. No campo de batalha, seus avanços diminuíram nos últimos meses, enquanto os ataques ucranianos à infraestrutura de energia forçaram a Rússia a reduzir a produção.
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