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Calor recorde e incêndios devastadores marcam início de 2026 no hemisfério sul

11 fev 2026 - 10h04
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Da Argentina à Austrália e à África do Sul, ondas ‌de calor recorde e incêndios florestais violentos assolam o hemisfério sul no início de 2026, com cientistas prevendo que temperaturas ainda mais extremas podem estar por vir — e possivelmente outro recorde global anual — após três dos anos mais quentes já registrados.

Em janeiro, uma onda de calor recorde envolveu a Austrália, elevando as temperaturas para cerca de 50°C, enquanto o calor e incêndios florestais catastróficos atingiram partes da América do Sul, incendiando ⁠regiões remotas da Patagônia argentina e matando 21 pessoas em cidades costeiras do Chile. Além disso, a África ‌do Sul vem enfrentando os piores incêndios florestais dos últimos anos.

Os extremos estão ocorrendo mesmo com o mundo permanecendo sob a influência refrescante de um La Niña fraco, um ciclo climático marcado por águas mais ‌frias no Pacífico central e oriental que começou em dezembro de ‌2024. Apesar desse fator moderador, as temperaturas estão atingindo recordes em vários locais.

"Isso significa que o ⁠efeito das mudanças climáticas causadas pelo homem está superando a variabilidade natural", disse o cientista climático Theodore Keeping, do Imperial College London e da colaboração internacional de pesquisa World Weather Attribution, especialista em pesquisas sobre incêndios florestais e calor extremo.

"À medida que fazemos a transição para uma fase neutra ou mesmo El Niño, esperamos que a incidência de eventos de calor extremo em todo o mundo seja ainda mais amplificada", acrescentou Keeping.

O ‌El Niño normalmente tem o efeito oposto ao La Niña, aquecendo o Pacífico central e oriental e aumentando ‌as temperaturas globais.

A previsão para este ⁠ano é de cerca de ⁠1,46°C acima dos níveis pré-industriais, o que o tornaria o quarto ano consecutivo com temperaturas superiores a 1,4°C acima dos níveis ⁠pré-industriais, de acordo com Adam Scaife, chefe de previsões de ‌longo prazo do serviço nacional de ‌meteorologia e clima do Reino Unido.

O tratado climático internacional de 2015, conhecido como Acordo de Paris, tinha como objetivo manter o aquecimento abaixo de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais.

"Se um grande El Niño se desenvolver rapidamente em 2026, ainda é possível que 2026 seja um ano recorde", disse Scaife.

A ⁠Organização Meteorológica Mundial afirmou no mês passado que os últimos três anos foram os mais quentes já registrados.

FOGO SE ALASTRA

Embora a maioria dos incêndios florestais seja causada pela atividade humana, eles também são uma parte natural de muitos ecossistemas. No entanto, o calor persistente, a seca e as temperaturas extremas estão transformando incêndios antes controláveis em eventos cada vez mais incontroláveis e destrutivos.

Muitos ‌ecossistemas não estão adaptados a condições tão quentes e secas, permitindo que os incêndios se tornem maiores e mais intensos, causando frequentemente danos permanentes, afirmou Keeping.

Os incêndios que devastaram o Parque Nacional Los Alerces, ⁠na Argentina, ilustram essa mudança, de acordo com a meteorologista Carolina Vera, do Centro de Pesquisa Oceânica e Atmosférica da Universidade de Buenos Aires.

O parque, um Patrimônio Mundial da Unesco, abriga árvores que vivem há mais de 3.000 anos.

Autoridades locais determinaram que um raio causou o incêndio. Inicialmente, o incêndio estava sob controle. Mas Vera disse que uma onda de calor e ventos fortes fizeram com que ele se espalhasse por cerca de 20 km em um único dia, tornando-se o pior incêndio florestal da região em duas décadas.

A região sofre com a seca desde 2008. As temperaturas durante as duas primeiras semanas de janeiro ficaram cerca de 6 °C acima do normal.

"Esses incêndios costumavam se extinguir por conta própria e faziam parte da dinâmica natural da floresta", disse Vera.

"Este é um exemplo de como as mudanças climáticas podem alterar um incêndio natural, porque ele parece ter sido causado por um raio", acrescentou.

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