Calendário Pirelli desembarca na Índia pela 1º vez e foge de estereótipos
Edição de 2027 é assinada pelo norueguês Solve Sundsbo e pela indiana Avani Rai.
Pela primeira vez em 53 edições, o Calendário Pirelli terá a Índia como cenário. A edição de 2027, apresentada em Nova Délhi, foi clicada pelo norueguês Solve Sundsbo e pela indiana Avani Rai, que assumiu o projeto após a morte de seu pai, Raghu Rai. O ensaio foge de estereótipos: Sundsbo fotografou celebridades como Freida Pinto no Rajastão sob um prisma autêntico, enquanto Rai retratou a vibrante vida cotidiana das ruas do país, integrando a memória do pai à sua potente visão documental e política.
Pela primeira vez em 53 edições, o Calendário Pirelli escolhe a Índia como cenário. A edição de 2027, apresentada em Nova Délhi nesta sexta-feira (23), é assinada pelo fotógrafo de moda norueguês Solve Sundsbo e pela fotógrafa indiana Avani Rai.
O calendário nasceu sob o signo da ausência. Avani é filha de Raghu Rai, um dos maiores nomes da fotografia indiana e que morreu no fim de abril, meses depois de aceitar o convite para realizar a edição de 2027.
Sundsbo realizou as fotos na natureza do Rajastão, com nove personalidades do mundo da moda e do entretenimento, entre elas Freida Pinto, Padma Lakshmi e Aditi Rao Hydari. A proposta era uma espécie de retorno às origens, em contraste com a imagem cosmopolita dessas mulheres.
"É impossível capturar a complexidade da Índia em um retrato ou em um conjunto de fotos, mas considero isso uma representação intensa de um país em ebulição. Pessoalmente, sinto que fui eu mesma nessas imagens", disse Freida, revelada no filme "Quem Quer Ser um Milionário?". A atriz, modelo e produtora espera que o trabalho ajude a romper estereótipos sobre as mulheres indianas, vistas como "todas iguais, tradicionais, silenciosas e submissas".
Já Sundsbo afirmou ter vivido o convite da Pirelli como uma montanha-russa. "Fiquei feliz, mas também assustado com os estereótipos que, como europeu, poderia ter até sem perceber.
Por isso pensei em capturar uma atmosfera indiana mais do que uma paisagem, e fotografar só depois de longas conversas com as protagonistas, para retratá-las o mais perto possível da autenticidade. Assim, a Índia não era apenas um pano de fundo", explicou.
O norueguês também afirmou que sua fotografia mudou com o tempo. "No começo era tudo mais estudado, tecnológico, construído, artificial. Agora estou orientado para um retrato mais autêntico, natural", destacou. Sobre inteligência artificial, disse vê-la como ferramenta, sem deixar que condicione seu trabalho. "Meus filhos a odeiam, são céticos sobre quem a controla, usam e temem ao mesmo tempo, mas nunca gostariam que ela se tornasse central no meu trabalho. A fotografia, historicamente, se pensava que poderia substituir a pintura, e não foi assim. Espero o mesmo com a IA", disse.
O olhar de rua - Avani Rai, por sua vez, escolheu outra Índia: skatistas, uma banda tocando na rua, o interior de um bar, uma família diante do espelho, homens nas calçadas. Não há modelos, exceto a mãe. O resultado é um caleidoscópio pop, colorido e por vezes surreal, no qual ela dialoga com as fotos do pai, usando-as como cenários para elaborar o luto.
"Fiquei fiel a mim mesma, em vez de me limitar a transmitir algo de modo acrítico. Uma herança nunca pode ser cega. A fotografia vive de detalhes, existe em um instante preciso e nunca se repete. Nada voltará a acontecer do mesmo modo", declarou.
Para Rai, em um país em transformação como a Índia, é responsabilidade do fotógrafo documentar a "vida que acontece bem diante da sua porta". Segundo ela, a arte é "sempre política", e há "muitos países em que se tenta eliminar qualquer ponto de vista e, assim, qualquer senso de realidade". .
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