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Cada vez menos pessoas moram em casa própria na Alemanha

15 set 2026 - 13h21
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Resumo
A proporção de alemães com casa própria caiu para 43,5%, o menor nível em 20 anos e a pior taxa da União Europeia. O cenário afeta sobretudo os jovens de 25 a 45 anos, dos quais quase 75% vivem de aluguel. Essa queda decorre da alta nos juros, do encarecimento de 160% nos custos de construção desde 2000 e do fim de subsídios federais. Especialistas alertam que a alta dos aluguéis ameaça a segurança financeira e pode elevar a pobreza entre futuros aposentados, exigindo novos incentivos estatais.

Para grande parte da população, adquirir um imóvel virou uma meta distante, especialmente entre os mais jovens. No ranking da UE, o país aparece na lanterna.Na Alemanha, vem diminuindo a proporção de pessoas que vivem em imóveis próprios. No ano passado, essa parcela caiu para 43,5% dos domicílios, conforme apurou o Instituto Pestel de Pesquisa do Mercado Imobiliário. Esse é o nível mais baixo em mais de 20 anos e representa a menor taxa em comparação entre os países da União Europeia.

De acordo com o Instituto Pestel, especialmente os mais jovens raramente vivem em imóveis próprios. Entre os que têm entre 25 e 45 anos, quase três quartos moram de aluguel. Essas pessoas são particularmente afetadas pelos altos preços dos imóveis no país.

Diferenças entre o sul e o norte

As menores taxas de imóveis próprios são encontradas nas grandes cidades e áreas metropolitanas, especialmente na região do Ruhr, no oeste da Alemanha. Além disso, há diferenças visíveis entre oeste e leste, bem como entre sul e norte: no oeste, em geral, mais pessoas vivem em imóveis próprios do que no leste, enquanto as maiores taxas de propriedade estão no sul da Alemanha. No entanto, nos últimos anos, tem sido observada uma aproximação gradual, especialmente entre o leste e o oeste do país.

Em comparação com os demais países da Europa, a Alemanha ocupa a penúltima posição. Apenas a Suíça, que não faz parte da União Europeia, tem uma proporção menor de famílias vivendo em imóveis próprios. Na Áustria, a taxa também é relativamente baixa, mas ainda superior à da Alemanha. Dinamarca, França, Luxemburgo e Suécia também apresentam índices reduzidos de moradia própria.

As maiores taxas de propriedade residencial, em alguns casos acima de 90%, são encontradas nos países do Leste Europeu, como Eslováquia, Romênia, Croácia, Hungria, Polônia e Lituânia.

Segundo o Instituto Pestel, as elevadas taxas de moradia própria em alguns países do Leste Europeu ainda refletem a venda em larga escala de apartamentos estatais aos antigos inquilinos após a dissolução do bloco soviético, por volta de 1990.

De modo geral, porém, não há uma relação evidente entre a taxa de propriedade de imóveis e o desempenho econômico de um país.

Forte alta dos custos de construção

O diretor do instituto, Matthias Günther, apontou como principais razões para a baixa taxa de imóveis próprios os altos custos de construção, a elevação das taxas de juros e a política habitacional adotada nos últimos anos.

Segundo ele, os custos de construção de moradias aumentaram 160% desde o ano 2000. Günther acrescentou que a extinção de um programa federal eficaz de incentivo à aquisição da casa própria, especialmente após o fim do subsídio conhecido como Baukindergeld em 2021, teve impactos negativos tanto do ponto de vista político quanto econômico.

Além disso, a imigração dos últimos anos também contribuiu para agravar os problemas do mercado imobiliário, aumentando a pressão sobre a oferta de moradias.

"Sinal de alerta"

Matthias Günther considera preocupante a atual evolução da situação na Alemanha. Segundo ele, "mesmo onde os preços dos imóveis estão estagnados ou em queda, casais com duas fontes de renda e ganhos médios dificilmente conseguem adquirir a casa própria", afirmou ao jornal Augsburger Allgemeine.

Para Mike Kammann, da Fundação Schwäbisch Hall, que encomendou a pesquisa, a queda contínua da taxa de moradias próprias é "um sinal de alerta que o Estado não pode mais ignorar".

Günther defende que a casa própria seja promovida politicamente como um importante instrumento de previdência para a aposentadoria. Segundo ele, o aumento dos aluguéis está empurrando cada vez mais idosos para a pobreza na velhice. "A pobreza na velhice é, em grande parte, pobreza de quem vive de aluguel", afirmou.

Por isso, ele propõe a criação de um plano federal para incentivo de habitação própria, cujo objetivo seria permitir que pelo menos 200 mil famílias por ano adquiram um imóvel para uso próprio. Isso ajudaria a ampliar o acesso à moradia e a fortalecer a segurança financeira da população na aposentadoria.

md/gq (AFP, EPD)

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