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Bessent refuta temores sobre tensões no mercado de dívida dos EUA

31 ago 2026 - 10h35
(atualizado às 10h51)
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Resumo
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, rejeitou temores de instabilidade no mercado de títulos, enfatizando a força e o crescimento da economia norte-americana. Ele defendeu a ampliação das recompras de títulos para US$ 4 bilhões por operação como estratégia para conter a volatilidade sem distorcer preços. Bessent afirmou ainda que a recente alta nos rendimentos decorre de pressões passageiras de energia e do conflito com o Irã, refletindo, em última análise, a confiança no país.

O secretário do ‌Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, minimizou as preocupações com a turbulência no mercado de títulos públicos dos EUA, argumentando que as apreensões sobre o aumento da dívida e das taxas de rendimento ignoram a solidez da economia norte-americana e suas perspectivas fiscais.

Em entrevista à Reuters no domingo, Bessent rebateu o crescente escrutínio sobre os níveis da dívida dos EUA e as críticas aos esforços ⁠do Tesouro para gerenciar a volatilidade do mercado, afirmando que o desempenho do mercado contradizia as alegações ‌de inquietação dos investidores.

"Em primeiro lugar, não sei ao certo onde está a turbulência no mercado de títulos", disse Bessent, argumentando que o mercado de títulos dos EUA foi "o que apresentou melhor ‌desempenho" entre os mercados globais este ano.

Bessent também disse que ‌os Estados Unidos estão em uma posição mais forte do que muitas economias avançadas porque ⁠continuam a crescer mesmo com grandes déficits orçamentários.

"O que também é importante é que estamos crescendo", disse ele antes do encontro de dois dias dos líderes financeiros do Grupo dos 20, que começa na segunda-feira em Asheville, no Estado norte-americano da Carolina do Norte.

Os rendimentos de referência dos títulos do Tesouro dos EUA permaneceram praticamente inalterados na última semana, com os títulos de 10 anos fechando ‌na sexta-feira perto de 4,73% após oscilarem em uma faixa estreita, à medida que os investidores equilibravam ‌as preocupações com as perspectivas fiscais ⁠dos EUA e os ⁠sinais de crescimento resiliente.

Os rendimentos de títulos de prazo longo permaneceram praticamente inalterados, apesar dos novos ataques entre os ⁠EUA e o Irã durante o pregão asiático nesta ‌segunda-feira.

Bessent afirmou que as taxas foram ‌impulsionadas para cima pelos preços da energia e pelas pressões inflacionárias decorrentes do conflito com o Irã, fatores que ele espera que se dissipem com o tempo. Ele acrescentou que as taxas mais altas refletiam confiança na economia dos EUA.

Bessent também descartou as preocupações expressas ⁠por alguns formuladores de política do banco central sobre a decisão surpresa do Tesouro dos EUA de aumentar as recompras de títulos, rejeitando sugestões de que a medida teria distorcido os mercados ou rompido com a tradição de operações previsíveis do mercado de títulos.

Na semana passada, Bessent afirmou que o Departamento do Tesouro pelo menos dobrará o volume ‌das recompras de títulos de prazo mais longo para US$4 bilhões por operação, argumentando que o aumento nos rendimentos — que levou os custos dos empréstimos de 30 anos à maior alta ⁠em 19 anos — estava desvinculado dos fundamentos econômicos.

Traçando paralelos com intervenções muito maiores no exterior, Bessent disse que as políticas do Banco Central Europeu sob o comando do ex-presidente Mario Draghi e os anos de compras agressivas de títulos pelo Banco do Japão enfrentaram menos críticas.

"Não pareciam ter nenhum problema quando Mario Draghi fez isso na Europa", disse ele. "Não pareciam ter nenhum problema quando os japoneses compraram metade do mercado de títulos do país."

O anúncio de um programa muito menor de recompras regulares de dívida teve como objetivo conter a volatilidade do mercado, que tende a aumentar em agosto, quando o volume de negociações é baixo, disse Bessent. Ele observou que o Tesouro ainda não havia executado as recompras em maior escala, que começam em 10 de setembro.

"Não acho que consiga alterar o preço de equilíbrio", disse ele. "Meu trabalho é desacelerar as coisas... e garantir que o mercado não entre em desordem."

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