Barbara Berlusconi chama de 'intoleráveis' declarações de mafioso sobre seu pai
Segundo Brusca, Cosa Nostra cogitou culpar esquerda para favorecer ex-premiê da Itália
Barbara Berlusconi classificou como "intoleráveis" as declarações do mafioso Giovanni Brusca, que associou seu pai, o ex-premiê Silvio Berlusconi, à máfia Cosa Nostra durante um julgamento em Florença. Ela criticou o uso de acusações sem provas contra alguém que já faleceu e não pode se defender. A defesa da família reforçou que os relatos de Brusca carecem de credibilidade e já foram rejeitados pela Justiça no passado devido a contradições e à falta de substância probatória.
A empresária italiana Barbara Berlusconi classificou como "intoleráveis" as declarações do mafioso Giovanni Brusca sobre a suposta ligação da máfia Cosa Nostra com o ex-premiê da Itália Silvio Berlusconi, durante um julgamento em Florença nesta quarta-feira (9).
"Considero intolerável que, ainda hoje, as alegações implausíveis e ridículas de indivíduos que cometeram os crimes mais hediondos ? e que agora até falam como homens livres ? sejam usadas para alimentar mais uma 'damnatio memoriae' [condenação ao esquecimento/apagamento da memória] contra meu pai", afirmou Barbara.
Segundo ela, há mais de três décadas são levantadas "teorias, insinuações e suspeitas" contra Berlusconi, sem que, em sua avaliação, tenham sido apresentadas provas suficientes.
Barbara também afirmou que o julgamento se transformou em uma espécie de novo processo sobre os atentados ocorridos na Itália em 1993 e 1994, ressuscitando acusações contra Berlusconi e Marcello Dell'Utri que, segundo ela, já haviam sido descartadas.
"É uma saga jurídica simplesmente surreal. Meu pai não pode mais se defender. Precisamente por isso, continuaremos a fazê-lo sempre que necessário", declarou.
O advogado da família Berlusconi, Giorgio Perroni, também contestou as declarações de Brusca sobre Berlusconi e Dell'Utri.
Segundo Perroni, a falta de credibilidade dos relatos de Brusca já teria sido estabelecida em decisões judiciais anteriores.
O advogado afirmou que magistrados teriam descartado suas declarações por causa de sua "extrema ambiguidade" e de contradições com outras provas presentes nos autos.
Perroni disse ainda que os relatos foram considerados "totalmente desprovidos de substância para fins probatórios", sobretudo por terem sido apresentados por alguém que, segundo decisões anteriores citadas pelo advogado, "se recusou a oferecer uma contribuição espontânea e honesta para o estabelecimento da verdade".
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