AIEA aprova resolução que encaminha Irã ao Conselho de Segurança da ONU
A diretoria da AIEA aprovou o envio do Irã ao Conselho de Segurança da ONU por violação de obrigações de não proliferação nuclear, fato inédito em duas décadas. Proposta por potências ocidentais e aprovada por 23 votos a 3, a medida agrava o impasse diplomático e motivou ameaças de retaliação de Teerã. Apesar da escalada, ações práticas são improváveis no Conselho devido ao poder de veto de Rússia e China, aliadas dos iranianos que votaram contra o texto ao lado do Níger.
A diretoria da agência nuclear da ONU, composta por 35 países, aprovou uma resolução que encaminha o Irã ao Conselho de Segurança da ONU pela primeira vez em 20 anos por violar suas obrigações de não proliferação, informaram diplomatas nesta quarta-feira.
A resolução dá continuidade a uma anterior, aprovada em 12 de junho do ano passado — um dia antes de Israel iniciar os bombardeios contra as instalações nucleares do Irã, logo seguido pelos Estados Unidos —, que considerou o Irã em "descumprimento" dessas obrigações. Para encaminhar o caso ao Conselho por essa violação, era necessária outra resolução.
Embora seja improvável que o Conselho de Segurança tome medidas concretas contra o Irã, uma vez que seus aliados, Rússia e China, são membros permanentes com direito a veto, a medida representa uma escalada no impasse diplomático entre o Irã e as potências ocidentais, e o Irã advertiu na segunda-feira que retaliaria caso a resolução fosse aprovada.
O texto, proposto pelos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, foi aprovado com 23 votos a favor, três contra e oito abstenções, segundo diplomatas presentes na reunião a portas fechadas da Agência Internacional de Energia Atômica. Os países que se opuseram foram Rússia, China e Níger, afirmaram eles.
"(A diretoria) solicita ao diretor-geral (da AIEA) que comunique esta resolução e as resoluções adotadas anteriormente... a todos os membros da Agência, bem como ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral das Nações Unidas, de acordo com as disposições pertinentes do Estatuto da AIEA", dizia o texto.
Embora a constatação de não conformidade seja anterior à guerra entre os Estados Unidos e o Irã e diga respeito à falha do Irã em explicar os vestígios de urânio encontrados em locais não declarados — que a agência levou anos para investigar —, há agora outro impasse sobre o acesso da AIEA aos locais bombardeados por Israel e pelos Estados Unidos.
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