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Autoridades dos EUA defendem tiros contra homem em Nova York e criticam as políticas de "santuário"

9 out 2026 - 16h35
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Resumo
Autoridades dos EUA defenderam agentes de imigração que atiraram no dominicano Oscar Belgal em Nova York durante uma abordagem. Segundo o governo, ele jogou o carro contra os policiais, sem que soubessem que seu filho de 5 anos estava no banco traseiro. Ferido de raspão e detido, Belgal motivou fortes críticas do prefeito Zohran Mamdani à violência e impunidade do ICE. Em resposta, a gestão federal atacou as políticas de "cidade-santuário" de Nova York e defendeu as ações de deportação.

Autoridades de imigração dos Estados Unidos defenderam, ‌nesta sexta-feira, os agentes federais que atiraram e feriram um homem da cidade de Nova York dentro de seu carro, com uma criança pequena  no banco de trás, e repreenderam o prefeito Zohran Mamdani por sua condenação aos agentes de imigração.

O secretário de Segurança Interna dos EUA, Markwayne Mullin, disse em uma coletiva de imprensa que os policiais não sabiam que a criança estava no carro no momento em que abriram fogo e acusou o homem, um dominicano que era ⁠o alvo da operação, de colocar em risco tanto os policiais quanto a criança.

O homem, identificado pelas autoridades como Oscar Belgal, ‌recusou-se a sair do carro quando abordado por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega na tarde de quinta-feira em Marble Hill, bairro mais ao norte de Manhattan.

Antes de Belgal, agentes federais de imigração haviam atirado em pelo menos 21 ‌pessoas, matando 7 delas, em todo o território dos EUA desde que ‌o presidente Donald Trump reassumiu o cargo em janeiro de 2025, prometendo recordes de deportações.

Marcos Charles, autoridade de alto escalão ⁠do ICE, disse na coletiva de imprensa que Belgal acelerou o carro e bateu em dois veículos do ICE, parecendo estar "indo em direção aos agentes" quando eles começaram a atirar.

Em outros incidentes violentos, os relatos iniciais do ICE ou do Departamento de Segurança Interna foram repetidamente contraditos por vídeos e outras evidências, às vezes em tribunal, e a Reuters não conseguiu verificar a versão de Charles.

Belgal sofreu um ferimento superficial no pescoço, disse Charles. Ele está detido em um centro de ‌detenção nos arredores do Estado de Nova York. O filho de 5 anos de Belgal estava no banco de trás no ‌momento, segundo a polícia.

Em um vídeo de ⁠três minutos gravado por uma ⁠câmera corporal divulgado pelo Departamento de Polícia de Nova York nesta sexta-feira, Belgal pode ser visto sentado ao lado de um carro, com ⁠as mãos algemadas atrás das costas e manchas do que parecia ser ‌sangue fresco na pista, e com ‌agentes à paisana em volta dele. Um deles segura um fuzil e usa um colete refletivo fluorescente.

Uma multidão de curiosos enfurecidos, reunida do lado de fora de uma loja de esquina, grita com os policiais da calçada. Vários policiais municipais pegam Belgal pelos braços e pelas pernas, colocam-no no carro e o levam para um hospital.

Mullin ⁠disse que o vídeo das câmeras corporais dos agentes do ICE também deve ser divulgado.

Belgal é um dominicano que está no país ilegalmente e já havia escapado de uma tentativa dos agentes do ICE de prendê-lo em setembro, segundo autoridades norte-americanas. Ele se declarou culpado no ano passado por furto qualificado de quarto grau, o que resultou em uma sentença de cinco anos de liberdade condicional, e deve comparecer ao tribunal ‌em dezembro sob a acusação de venda criminosa de substância controlada, da qual se declarou inocente, de acordo com registros judiciais de Nova York.

Ao falar com jornalistas na noite de quinta-feira no local do tiroteio, Mamdani, ressaltando que ele próprio ⁠era imigrante, condenou o ICE como "podre até a medula" e disse que havia tentado, sem sucesso, garantir a libertação de Belgal em ligações telefônicas com Trump e Mullin.

Mamdani afirmou que o tiroteio é "mais uma confirmação devastadora do que já sabemos há muito tempo: que o ICE age com impunidade, que semeia o caos e o terror por todo o nosso país e que já matou muito mais vizinhos nossos do que jamais poderia alegar ter salvado".

Em resposta, nesta sexta-feira, Mullin atacou Mamdani e criticou as políticas de "santuário" de Nova York, que restringem o grau de cooperação das agências municipais e da polícia com as autoridades de imigração, a menos que uma pessoa tenha sido condenada por crimes violentos ou graves.

Trump afirma que esforços agressivos para deportar imigrantes são necessários para proteger a segurança dos norte-americanos nascidos no país.

Defensores públicos de órgãos que representaram Belgal no tribunal também condenaram o tiroteio.

A Legal Aid afirmou em um comunicado que o tiroteio representa "um apelo urgente para coibir o uso da força pelo ICE e responsabilizar os agentes federais de imigração", exortando os promotores municipais a investigarem os agentes envolvidos.

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