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Ataque houthi a aeroporto de Riade deixa dezenas de feridos

Combatentes houthis do Iêmen atacaram no sábado (10), com um míssil, o aeroporto de Riade, capital da Arábia Saudita. Fontes médicas relataram dezenas de feridos, cinco deles em estado grave. Pouco depois, Alemanha, Canadá e Espanha recomendaram que seus cidadãos evitassem passar pelo aeroporto.

10 out 2026 - 13h57
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Resumo
Um ataque com míssil atribuído aos rebeldes houthis atingiu o aeroporto de Riade, deixando dezenas de feridos, a maioria sauditas, e interrompendo voos comerciais. A ofensiva reflete uma escalada inédita de ataques contra alvos civis na Arábia Saudita, no contexto do conflito regional e do apoio militar saudita ao governo do Iêmen, enquanto forças iemenitas tentam recuperar o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, ainda parcialmente controlado pelo grupo rebelde pró-Irã.

"Os houthis atacam alvos civis. O aeroporto de Riade é um alvo civil", declarou uma fonte diplomática à AFP, especificando que "um míssil" atingiu o aeroporto "por volta das 15h" (9h em Brasília).

Fumaça e chamas no Aeroporto King Khalid, em Riade, na Arábia Saudita, em 8 de outubro de 2026, após o grupo Houthis do Iêmen, apoiado pelo Irã, afirmar ter atacado o local; imagem extraída de um vídeo de rede social.
Fumaça e chamas no Aeroporto King Khalid, em Riade, na Arábia Saudita, em 8 de outubro de 2026, após o grupo Houthis do Iêmen, apoiado pelo Irã, afirmar ter atacado o local; imagem extraída de um vídeo de rede social.
Foto: Social Media via REUTERS - Social Media / RFI

"Dezenas de pessoas ficaram feridas no aeroporto, a maioria cidadãos sauditas. Pelo menos cinco delas, todas sauditas, estão na UTI", declarou uma fonte médica à AFP, acrescentando que alguns feridos foram levados do aeroporto para o hospital de helicóptero.

As autoridades não confirmaram oficialmente o disparo nem a retirada dos passageiros, e os houthis não reivindicaram de imediato o ataque ao aeroporto.

Mais cedo, o aeroporto de Riade havia pedido aos viajantes que verificassem com suas companhias aéreas se os voos não tinham sido cancelados antes de se dirigirem ao local.

Um aviso semelhante já havia sido emitido na quinta-feira (8), após ataques que também danificaram uma aeronave. Três pessoas morreram, incluindo um piloto, na ofensiva reivindicada pelos combatentes pró-Irã contra o mesmo aeroporto. O local também havia sido alvo na quarta-feira, causando perturbações no tráfego aéreo.

Segundo o site especializado FlightRadar, o último voo comercial deste sábado pousou no aeroporto às 14h05, horário local (8h05 em Brasília). A Kuwait Airways anunciou, o cancelamento de dois voos entre o Kuwait e Riade, citando o "fechamento" do aeroporto "relacionado à situação de segurança".

A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de petróleo bruto, raramente reconhece que ataques atingiram alvos civis. Nas últimas semanas, as autoridades sauditas fizeram poucas declarações sobre as consequências das ações dos houthis.

Aumento dos ataques

A magnitude e a frequência dos ataques contra Riad nos últimos dias não têm precedentes desde o início da guerra no Oriente Médio, há oito meses, quando o Irã realizou ataques contra o reino em represália às ações israelo-americanas contra Teerã no fim de fevereiro.

A Arábia Saudita presta apoio militar às forças governamentais iemenitas que combatem os houthis no Iêmen, onde tentam retomar territórios ocupados pelo grupo desde setembro, incluindo o litoral do Mar Vermelho, após uma ofensiva relâmpago.

Ambos os lados parecem determinados a continuar os combates em vez de buscar uma solução diplomática.

Fontes militares do campo governamental no Iêmen informaram à AFP, no sábado, que as forças iemenitas haviam avançado contra os houthis na região do estreito de Bab el-Mandeb, mas sem conseguir garantir a segurança dessa via marítima estratégica.

Segundo essas fontes e uma autoridade houthi, os combatentes antigovernamentais, que assumiram o controle do estreito durante sua ofensiva relâmpago no início de setembro, ainda mantêm a ilha de Mayyoun, situada no centro da passagem marítima.

Estreito fundamental para o comércio

O estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Europa à Ásia via Canal de Suez, tornou-se crucial para contornar o bloqueio do estreito de Ormuz por Teerã, do outro lado da Península Arábica.

Uma fonte militar do campo governamental do Iêmen havia informado, na sexta-feira, sobre uma "vasta operação" em curso para retomar o controle dessa via marítima.

As afirmações de ambos os lados, no entanto, não podem ser verificadas de forma independente, uma vez que a situação evolui rapidamente e o acesso de jornalistas à área é difícil.

Com AFP

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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