Ataque de houthis interrompe operações no maior aeroporto da Arábia Saudita durante congresso mundial
Os rebeldes houthis do Iêmen reiteraram neste domingo (11) seus alertas sobre as operações nos aeroportos sauditas, um dia após um ataque ao principal aeroporto do país, na capital Riade, deixar 12 mortos. O grupo, apoiado pelo Irã, disse a companhias aéreas, funcionários aeroportuários e viajantes que se mantenham afastados desses locais.
Um ataque dos houthis ao aeroporto King Khalid, em Riade, deixou 12 mortos e 309 feridos, forçando a suspensão das operações no local. Considerado o atentado mais letal na Arábia Saudita em mais de uma década, o episódio ocorreu em meio a um importante congresso global de energia. A ação foi condenada pela ONU e pela União Europeia como violação do direito internacional, enquanto os Estados Unidos avaliam se juntar aos ataques militares sauditas contra o grupo iemenita.
Os houthis afirmam que os aeroportos e o espaço aéreo sauditas continuam sendo alvos potenciais de operações militares e advertiram que o reino seria responsabilizado por qualquer tentativa de interceptação que falhasse. As novas ameaças surgem no momento em que a Arábia Saudita realiza um importante congresso internacional de energia em Riade.
O Ministério de Energia da Arábia Saudita anunciou que o 25º Congresso Mundial de Energia (WPC Energy Congress), com duração de cinco dias, teve início no domingo, contando com a participação confirmada de mais de 70 ministros, 300 executivos de empresas e representantes de mais de 25 organizações internacionais do setor energético, segundo a televisão estatal.
O ataque de sábado - o terceiro contra o aeroporto King Khalid de Riade em uma semana e o mais letal em mais de uma década no reino - deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos, segundo as autoridades sauditas. Entre as vítimas estão quatro sauditas, dois bengaleses e um cidadão dos Estados Unidos, além de um jordaniano, um palestino, um sírio, um sudanês e um egípcio.
A autoridade de aviação civil saudita declarou que as operações do aeroporto foram temporariamente suspensas enquanto são realizadas avaliações dos danos e das condições de segurança, sem especificar quando os voos seriam retomados.
Reações da comunidade internacional
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou no sábado que o ataque é "inaceitável". Washington considera juntar-se aos ataques sauditas contra os houthis e uma decisão deve ser tomada rapidamente após esse ataque letal, completou.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse ter ficado "profundamente chocado". "Ataques contra civis e infraestruturas civis constituem uma violação do direito internacional. Esses ataques devem cessar imediatamente", acrescentou.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, advertiu para uma "escalada perigosa" e declarou que o grupo apoiado pelo Irã deve cessar seus ataques contra alvos civis.
"Esses ataques realizados por grupos aliados ao Irã arrastam a região para uma espiral de violência. Eles desestabilizam infraestruturas essenciais para o transporte global e o abastecimento de energia, provocando ondas de choque em todo o mundo", ressaltou. A União Europeia expressa sua "solidariedade com a Arábia Saudita", complementou.
Aumento de ataques
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, por sua vez, condenou o ataque como um "ato de terror terrível". "Não pode haver qualquer justificativa para ataques indiscriminados contra civis e infraestruturas civis", escreveu ela nas redes sociais.
O ministro alemão das Relações Exteriores, Johann Wadephul, também "condena veementemente" o ataque, considerado "ato terrorista contra a Arábia Saudita e a aviação civil".
A magnitude e a frequência dos disparos contra Riade nos últimos dias não têm precedentes desde 2014 e o início da guerra no Iêmen, que opõe os houthis às forças governamentais iemenitas - apoiadas militarmente por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, a partir de 2015.
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