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Ásia

ONG resgata crianças de trabalho infantil forçado na Índia

13 jun 2010 - 06h03
(atualizado às 06h44)
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Em vez de brincar ou estudar, dezenas de milhões de crianças indianas são forçadas a trabalhar diariamente durante jornadas de até 17 horas, mas os resgates delas em locais de exploração são uma forma de aliviar, pelo menos, o sofrimento de alguns poucos.

Nos últimos 30 anos, a ONG indiana Bachpan Bachao Andolan (BBA, Salvemos a Infância, em tradução livre) se dedicou a combater o trabalho infantil e devolveu às famílias mais de 8 mil crianças aglomeradas em estabelecimentos clandestinos, afastados de suas famílias e explorados por capatazes.

Desde abril, a BBA libertou, somente na capital indiana, mais de 180 crianças, segundo relataram funcionários da organização, que nesta semana intensificaram seus esforços por ocasião do Dia Mundial contra o Trabalho Infantil, celebrado nesse sábado.

Entre suas últimas ações está o resgate de 40 menores que trabalhavam em uma fábrica ilegal de brinquedos no bairro de Nangloi, no oeste de Nova Délhi, uma ação presenciada pela Efe a convite dos ativistas.

A ação é preparada por uma equipe de 15 ativistas e uma dúzia de policiais, que se aproximam da fábrica em três veículos: um jipe, uma caminhonete e um micro-ônibus do Departamento de Bem-Estar Laboral.

O plano parece perfeitamente calculado: as equipes de resgate invadem o prédio por diferentes acessos, inclusive pelo telhado da fábrica, aonde escalam Jubil Lalung, um coordenador de resgates da BBA que participou de mais de 60 ações, e quatro colegas.

No interior do local, eles encontram 40 crianças com idades entre oito e 14 anos, que estavam há dois anos fazendo peças de brinquedos.

Nesta ocasião, os seis capatazes detidos não oferecem resistência. "Uma vez, um deles atirou contra nós. Por sorte, não houve feridos", lembra Lalung.

Após o resgate, tanto as crianças como seus sequestradores são levados a julgamento para serem identificados e prestarem depoimento. Na camiseta de cada criança, prende-se um crachá improvisado com nome e idade.

"Estou feliz de estar livre e poder estudar em uma boa escola", diz um deles após ser libertado.

As crianças passarão agora pelo menos duas semanas em um centro de amparo da ONG antes de retornar a seus lares.

Elas receberão um "certificado de liberdade", que lhes dá direito a uma indenização de 20 mil rúpias (US$ 427) com a qual os pais da criança podem abrir um negócio, comprar uma vaca ou um terreno que evite que se afastem novamente dos filhos.

Alguns pais, especialmente na zona rural, entregam seus filhos a supostos "agentes" - muitas vezes pessoas próximas - para trabalhar em casas de famílias endinheiradas e aliviar as precárias condições financeiras.

As crianças recebem normalmente menos de US$ 50, com a promessa de que receberão em troca educação e boa alimentação, mas seu destino é outro bem diferente: a exploração.

"Meu tio me trouxe aqui (a Délhi) há seis meses. Disseram a meus pais que iriam me pagar e não me deram nem um centavo. Eu costumava fazer entre 4 mil e 5 mil botões por dia", disse Raju, menino de sete anos, resgatado há um mês em um oficina de Délhi.

Os empresários, segundo o presidente da ONG, R.S. Chaurasia, "não têm nenhum tipo de preocupação com seu futuro, sua saúde ou sua alimentação".

"É impactante ver crianças tão pequenas trabalhando de manhã até de noite em temperaturas acima dos 45 graus", acrescentou Chaurasia.

Segundo ele, é comum as crianças serem queimadas com cigarros para que não durmam.

Segundo o presidente da ONG, a escolarização das crianças e a ajuda econômica prometida é, após a libertação, responsabilidade das autoridades.

Mas a lei que torna obrigatória e gratuita a educação para as crianças entre seis e 14 anos não entrou em vigor até o último dia 1º de abril.

Segundo a porta-voz da organização Save the Children India, Priya Subramanian, existe uma "anomalia" no sistema, porque a norma choca com outra que regula e permite certas formas de trabalho infantil, por exemplo, no setor agrícola.

O último censo publicado pelo Governo indiano, em 2001, estimava que 12,6 milhões de crianças entre cinco e 14 anos trabalham no país. Já a organização BBA afirma que esse número chega a 100 milhões.

EFE   
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