Arábia Saudita: aeroporto de Riade volta a ser alvo de ataque
O aeroporto da capital saudita foi novamente atingido neste domingo (11), um dia após um míssil deixar 12 mortos no local. Os houthis reivindicaram os ataques contra os aeroportos do país e também contra infraestruturas energéticas sauditas.
Rebeldes houthis atacaram o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade, e instalações da petroleira Aramco, em uma ofensiva sem precedentes que deixou 12 mortos e 309 feridos, paralisando o terminal. A ação gerou forte condenação da comunidade internacional, com os EUA avaliando apoio militar a forças sauditas, que prometeram resposta firme. Os ataques ocorrem em meio à escalada do conflito no Iêmen, onde o grupo xiita também busca consolidar posições no estratégico estreito de Bab el-Mandeb.
Os combatentes pró-Irã "visaram, em três fases, o aeroporto internacional" de Riade, bem como uma "instalação de gás" e uma "refinaria de petróleo" pertencentes à Aramco, além do aeroporto internacional de Dammam, declarou o porta-voz do grupo, Yahya Saree, em um comunicado neste domingo.
Mais cedo, os houthis haviam renovado o alerta a viajantes, funcionários e companhias aéreas para que não utilizassem o espaço aéreo nem os aeroportos sauditas, com exceção daqueles situados nas cidades sagradas de Meca e Medina.
Esses locais "estão expostos a ataques", advertiu Yahya Saree na rede social X.
A dimensão dos ataques contra Riade nos últimos dias é inédita desde o início, em 2014, da guerra no Iêmen, que opõe os houthis às forças governamentais, apoiadas militarmente por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita desde 2015.
O porta-voz da coalizão, general Turki Al-Malki, informou, na tarde de domingo, sobre um "ataque com um projétil não identificado contra o terminal de passageiros número 4 do Aeroporto Internacional Rei Khalid", onde foi registrado um incêndio.
Ele também anunciou a interceptação de um "míssil de cruzeiro nas imediações do aeroporto".
Ataques durante a semana
Os combatentes houthis, já haviam reivindicado, na quarta e na quinta-feira, ataques contra o aeroporto de Riade que deixaram seis mortos no total.
A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita atribuiu aos houthis o ataque de sábado, classificando-o como um "crime de guerra" ao qual responderá "com firmeza". Uma fonte diplomática também atribuiu a ação a um míssil houthi.
O ataque de sábado foi o que deixou o maior número de vítimas no reino desde agosto de 2015. Neste ano, um atentado suicida do grupo jihadista Estado Islâmico (EI) matou 15 pessoas.
A comunidade internacional condenou a ofensiva contra uma infraestrutura civil. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, condenou o que chamou de "ataque terrorista horrível".
Prime Minister Benjamin Netanyahu: I condemn in the strongest possible terms the horrific terrorist attack on King Khalid International Airport in Riyadh, Saudi Arabia, which claimed the lives of 12 innocent people and injured hundreds more. On behalf of the people of Israel, I extend our deepest condolences to the families of those murdered and our wishes for a full recovery to the injured. Terrorism targets innocent people and seeks to spread fear and instability. It must be confronted with resolve. Israel looks forward to a strong Middle East—one that stands united against threats, protects its people, and builds a future of security, cooperation, and prosperity for all the peoples of our region.
— Prime Minister of Israel (@IsraeliPM) October 11, 2026
"O que aconteceu (...) não é aceitável", declarou Donald Trump no sábado. Ele afirmou que analisaria uma possível participação americana nas operações militares contra os houthis e que conversaria com o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que governa o reino.
Até então, os Estados Unidos não haviam atendido a vários pedidos de apoio feitos pela Arábia Saudita.
A ONU, além de França, Reino Unido, Alemanha, Catar, Jordânia, Rússia, Iraque e Paquistão, condenou o ataque ao aeroporto. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, classificou o episódio como uma "escalada perigosa".
Apesar das divergências diplomáticas com Riade, especialmente em relação ao Iêmen, os Emirados Árabes Unidos expressaram solidariedade ao reino e manifestaram seu "apoio a todas as medidas destinadas a preservar" a segurança do país.
Aeroporto paralisado
As autoridades sauditas contabilizaram 12 mortos e 309 feridos no aeroporto após o ataque de sábado. No entanto, o número de vítimas pode ser maior, segundo um diplomata ocidental baseado em Riade, ouvido pela AFP.
De acordo com as autoridades, entre os mortos estão "quatro cidadãos sauditas, dois bengaleses, um americano, um egípcio, um argentino, um sírio, um palestino e um sudanês".
Após o ataque de sábado, o aeroporto King Khalid permaneceria fechado neste domingo.
"As operações estão suspensas até segunda ordem", declarou uma das fontes, acrescentando que o radar e os equipamentos de comunicação foram danificados e que as condições das pistas ainda precisavam ser avaliadas.
Várias embaixadas estrangeiras recomendaram a seus funcionários que evitassem o aeroporto de Riade durante uma semana.
No Iêmen, as hostilidades continuam após a ofensiva relâmpago lançada pelos houthis em setembro. O movimento assumiu o controle do estratégico estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, desencadeando uma contraofensiva das forças governamentais.
Neste domingo, os houthis relataram dois ataques sauditas contra a província de Sanaa, capital controlada pelo movimento.
Fontes militares ligadas ao governo iemenita afirmaram, no sábado, que as forças governamentais haviam avançado nos arredores do estreito, mas não conseguiram assegurar seu controle.
Um representante houthi afirmou que o movimento ainda controlava a ilha de Mayyoun, situada no centro dessa passagem marítima, que ganhou importância desde que Teerã passou a restringir a navegação no estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
Com AFP
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