Após mais de 10 mortes, houthis voltam a atacar aeroporto em Riad
Bombardeios contra Arábia Saudita aceleram escalada em conflito no Iêmen
Rebeldes houthis atacaram novamente o aeroporto de Riad neste domingo, provocando incêndio e deixando feridos, um dia após uma ofensiva similar matar mais de dez pessoas no terminal. O grupo iemenita pró-Irã reivindicou múltiplos ataques recentes contra alvos sauditas, incluindo instalações da petrolífera Aramco. A escalada de violência gerou repúdio internacional de líderes da ONU, União Europeia, Itália e EUA, que consideram apoiar uma resposta militar saudita contra a milícia.
Os rebeldes iemenitas houthis lançaram um novo ataque contra o aeroporto internacional de Riad, capital da Arábia Saudita, neste domingo (11), após um míssil ter matado mais de 10 pessoas no terminal no último sábado (10).
O bombardeio foi confirmado pela coalizão de liderança saudita que combate os houthis no Iêmen. Segundo o major-general Turki al-Maliki, porta-voz da aliança militar, um projétil não identificado atingiu o terminal 4 do aeroporto, provocando um incêndio no local, e um míssil de cruzeiro foi interceptado pela defesa antiaérea.
A autoridade de aviação civil do país árabe disse que o ataque deixou um número ainda incerto de feridos. Mais cedo, a agência de notícias AFP havia relatado uma forte explosão no centro de Riad, enquanto residentes do norte da cidade também disseram ter ouvido outra detonação ? o aeroporto fica no nordeste da metrópole.
"Realizamos quatro operações de grande impacto nas últimas 24 horas, utilizando mísseis balísticos e de cruzeiro e drones", declarou o porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree. Segundo ele, o grupo mirou o aeroporto de Riad "diversas vezes", bem como o aeroporto de Dammam e duas instalações da estatal de petróleo Aramco.
No último sábado, um ataque dos houthis matou mais de 10 pessoas e deixou centenas de feridos no principal terminal aéreo da Arábia Saudita, que lidera uma coalizão militar em defesa do governo reconhecido do Iêmen na luta contra o grupo rebelde apoiado pelo Irã. Inicialmente, as autoridades locais confirmaram 12 óbitos, mas a embaixada da Índia em Riad disse neste domingo que um cidadão do país ferido no ataque faleceu no hospital em decorrência das lesões.
A guerra civil no Iêmen já dura 12 anos, e os houthis controlam a capital Sanaa e a maior parte da costa do país no Mar Vermelho. Nas últimas semanas, o grupo tem avançado em direção ao Estreito de Bab el-Mandeb, rota crucial para o comércio global por conectar o Mar Vermelho e o Canal de Suez com o Oceano Índico.
Reações - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que os ataques ao aeroporto de Riad são "inaceitáveis" e não descartou a hipótese de se juntar à Arábia Saudita na ofensiva contra os houthis. "Vamos decidir", declarou.
A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que os bombardeios em Riad constituem uma "grave escalada" e uma "ameaça para a segurança regional, perpetuando ciclos de violência e complicando ainda mais os esforços pela paz no Iêmen".
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, destacou que os ataques lançam a região em uma "espiral de violência" e "desestabilizam entrepostos cruciais para os transportes e a energia em nível global". "Esses ataques mortíferos contra civis devem cessar imediatamente", acrescentou.
Já a premiê italiana, Giorgia Meloni, condenou os bombardeios e destacou que ofensivas contra "civis e infraestruturas civis são inaceitáveis". "A Itália continuará trabalhando com os parceiros na região para reduzir as tensões e promover a estabilidade e a liberdade de navegação na área", salientou.
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