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Arábia Saudita acusa houthis do Iêmen de ataque contra Meca; rebeldes negam

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita afirmou nesta quarta-feira (16) ter destruído um drone lançado em direção à cidade sagrada de Meca pelos houthis do Iêmen. O grupo apoiado pelo Irã, que realiza uma ofensiva contra Riade há quase uma semana, refutou a acusação.

16 set 2026 - 09h45
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Resumo
A Arábia Saudita acusou os rebeldes houthis de lançarem um ataque com drone contra Meca, ato veementemente condenado por líderes islâmicos, mas negado pelo grupo rebelde, que afirma focar apenas em alvos militares e petrolíferos. O avanço houthi no Mar Vermelho e no Estreito de Bab el-Mandeb intensificou o conflito regional, elevando o preço do petróleo mundial, ameaçando a navegação marítima e provocando o deslocamento de mais de 100 mil pessoas devido à crise humanitária decorrente dos combates.

Joseph Clément, correspondente da RFI em Riade, com AFP 

A Grande Mesquita da cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, em 14 de setembro de 2026.
A Grande Mesquita da cidade sagrada de Meca, na Arábia Saudita, em 14 de setembro de 2026.
Foto: © Ibraheem Abu Mustafa / Reuters / RFI

Em comunicado, a defesa aérea saudita declarou ter destruído na terça-feira (15) "um drone hostil lançado pela milícia terrorista houthi antes que ingressasse no espaço aéreo restrito da capital sagrada" do islã. "A segurança das duas mesquitas sagradas e de seus visitantes constitui uma linha vermelha", advertiu a coalizão liderada por Riade, que respalda o governo iemenita.

A Organização para a Cooperação Islâmica (OCI), que reúne 57 Estados‑membros, condenou "os ataques atrozes" que "profanam a santidade dos lugares sagrados e das mesquitas, e ferem os sentimentos dos muçulmanos de todo o mundo". Já o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, condenou "nos termos mais enérgicos possíveis o covarde e abominável" ataque contra Meca.

A imprensa saudita critica implacavelmente o ataque atribuído aos rebeldes houthis, classificando o episódio com "uma agressão desrespeitosa", que cruzou "todas as linhas vermelhas religiosas, morais e humanas". O político iemenita Abdulah el‑Alimi, uma das vozes mais influentes do campo pró‑Riade, afirma na rede social X que o ataque a Meca deve servir como "um revelador" das intenções dos houthis.

Os rebeldes houthis negaram ter mirado em Meca, denunciando "uma mentira esfarrapada", segundo um de seus responsáveis, Hazm al‑Assad, na rede social X. "Nossas operações têm como alvo as instalações petrolíferas e as bases militares, que ficam longe dos locais sagrados", acrescentou o porta‑voz militar do grupo, Yahya Saree.

Ofensiva contra a Arábia Saudita 

O Iêmen foi arrastado em julho para a guerra no Oriente Médio, desencadeada no fim de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. Os houthis, que enfrentam o governo iemenita - reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita - tomaram na semana passada o controle da costa do país próxima ao Mar Vermelho, reforçando seu domínio sobre o estratégico Estreito de Bab el-Mandeb.

A nova frente na guerra provocou uma disparada dos preços do petróleo, afetando a economia mundial. O Brent, referência internacional do petróleo bruto, é negociado nesta quarta-feira a US$ 108,5 por barril, quase 80% acima do nível anterior ao início da guerra em fevereiro.

O príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, pediram na terça-feira, no Cairo, garantias à "liberdade e segurança da navegação marítima" no Estreito de Bab el-Mandeb. A passagem, que liga a Europa à Ásia pelo Mar Vermelho e pelo Canal de Suez, se tornou crucial para a Arábia Saudita, principal exportador mundial de petróleo, desde que o Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, do outro lado da Península Arábica. O fechamento da via teria consequências "catastróficas", admitiu nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores do Catar.

Rebeldes pretendem continuar ofensiva   

Os houthis, no entanto, afirmam que não existe nenhuma ameaça à navegação no Estreito de Bab el-Mandeb, exceto para os navios sauditas. O movimento parece não querer aliviar a pressão sobre Riade: os rebeldes anunciaram nesta quarta-feira que derrubaram um avião de combate saudita e acusaram o país de ter executado 450 ataques aéreos contra o país vizinho nesta semana.

A nova frente da guerra também resulta em graves consequências humanitárias. Os combares entre os houthis e as forças pró-governo resultaram em ao menos 100 mil deslocadas nos últimos dias, segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

RFI A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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