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Apuração termina em Israel com Netanyahu na frente, mas sem maioria

Cabe agora ao presidente Herzog decidir quem formará governo

29 out 2026 - 13h28
(atualizado às 14h40)
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Resumo
O bloco do premiê Benjamin Netanyahu venceu as eleições legislativas em Israel com 53 assentos, mas não obteve a maioria de 61 deputados para governar. A oposição, liderada por Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes atingiram o recorde histórico de 19 vagas. Sem maioria clara, o presidente Isaac Herzog buscará intermediar um governo de união nacional para evitar novas eleições, em meio a tensões políticas e suspeitas de interferência estrangeira no pleito.

O bloco do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, venceu as eleições legislativas de 27 de outubro, porém não alcançou a maioria necessária para governar.

Coalizão de Netanyahu obteve 53 assentos no Parlamento, de um total de 120
Coalizão de Netanyahu obteve 53 assentos no Parlamento, de um total de 120
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Com 100% dos votos apurados, a coalizão encabeçada pelo primeiro-ministro conquistou 53 dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense, enquanto o bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, ficou com 48.

Os outros 19 foram para partidos árabes, que alcançaram seu melhor resultado na história e dobraram sua bancada no Legislativo. Essa é a primeira vez que os israelenses foram às urnas desde os atentados terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1,2 mil mortos e desencadearam uma guerra brutal na Faixa de Gaza, onde mais de 74 mil palestinos perderam a vida.

Considerando os partidos individualmente, o Likud, de Netanyahu, foi o mais votado, com 20,5% do total, o que corresponde a 27 cadeiras, uma redução de cinco assentos em relação às eleições de 2022.

Em seguida aparece o estreante Yashar, de Eisenkot, com 16,1% (21 cadeiras). Como nenhum bloco obteve maioria no Knesset, a bola está agora com o presidente Isaac Herzog, que deve se reunir separadamente com Netanyahu e Eisenkot nos próximos dias para sondar a possibilidade de um governo de união nacional.

Outra possibilidade é realizar uma nova eleição, o que poderia aumentar a instabilidade política em Israel. Os partidos árabes já mostraram disponibilidade para favorecer um governo liderado por Eisenkot para tirar Netanyahu do poder, porém o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas não manifestou interesse em formar aliança com a minoria.

"Quem quiser oferecer uma alternativa substancial e autêntica ao governo sanguinário de Netanyahu deverá falar conosco para abrir caminho à mudança que o povo israelense deseja ardentemente", disse nesta semana Yousef Jabareen, líder da coalizão árabe Lista Conjunta, que viu sua bancada aumentar de cinco para 11 deputados.

Já a Lista Árabe Unida (Ra'am), de Mansour Abbas, tinha cinco cadeiras e agora conquistou oito. No entanto, o líder do partido de oposição Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, aliado de Eisenkot, afirmou nesta quinta (29) que aceitará somente coalizões compostas "exclusivamente por legendas sionistas".

Isso incluiria até o Likud, "desde que Bibi [apelido de Netanyahu] seja excluído". Uma hipótese é que Eisenkot forme um governo de minoria, sem a participação formal dos árabes, que se absteriam.

Enquanto isso, a Comissão Eleitoral Central pediu a abertura de uma investigação sobre supostas interferências estrangeiras por parte do Catar.

A suspeita diz respeito a uma alegada transferência de dinheiro para reduzir a abstenção nas comunidades árabes "por meios ilegais". O Likud definiu o caso como um "ataque à democracia", porém o governo catariano desmentiu "categoricamente" as acusações.

"Já acusaram o Catar de ter corrompido Netanyahu, a esquerda israelense e, agora, o voto árabe. Trata-se de acusações tão ridículas quanto perigosas", disse o Ministério das Relações Exteriores de Doha.

Por sua vez, Sami Abou Shahadeh, líder do Balad, uma das legendas da Lista Conjunta, acusou o governo Netanyahu de "construir uma calúnia racista para anular o veredicto popular".

"Um homem acusado de corrupção, fraude e abuso de confiança continua incitando ao ódio contra 20% dos cidadãos do país", acrescentou.

Ansa - Brasil
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