Apuração termina em Israel com Netanyahu na frente, mas sem maioria
Cabe agora ao presidente Herzog decidir quem formará governo
O bloco do premiê Benjamin Netanyahu venceu as eleições legislativas em Israel com 53 assentos, mas não obteve a maioria de 61 deputados para governar. A oposição, liderada por Gadi Eisenkot, conquistou 48 cadeiras, enquanto os partidos árabes atingiram o recorde histórico de 19 vagas. Sem maioria clara, o presidente Isaac Herzog buscará intermediar um governo de união nacional para evitar novas eleições, em meio a tensões políticas e suspeitas de interferência estrangeira no pleito.
O bloco do premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, venceu as eleições legislativas de 27 de outubro, porém não alcançou a maioria necessária para governar.
Com 100% dos votos apurados, a coalizão encabeçada pelo primeiro-ministro conquistou 53 dos 120 assentos do Knesset, o Parlamento israelense, enquanto o bloco de oposição, liderado por Gadi Eisenkot, ficou com 48.
Os outros 19 foram para partidos árabes, que alcançaram seu melhor resultado na história e dobraram sua bancada no Legislativo. Essa é a primeira vez que os israelenses foram às urnas desde os atentados terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixaram 1,2 mil mortos e desencadearam uma guerra brutal na Faixa de Gaza, onde mais de 74 mil palestinos perderam a vida.
Considerando os partidos individualmente, o Likud, de Netanyahu, foi o mais votado, com 20,5% do total, o que corresponde a 27 cadeiras, uma redução de cinco assentos em relação às eleições de 2022.
Em seguida aparece o estreante Yashar, de Eisenkot, com 16,1% (21 cadeiras). Como nenhum bloco obteve maioria no Knesset, a bola está agora com o presidente Isaac Herzog, que deve se reunir separadamente com Netanyahu e Eisenkot nos próximos dias para sondar a possibilidade de um governo de união nacional.
Outra possibilidade é realizar uma nova eleição, o que poderia aumentar a instabilidade política em Israel. Os partidos árabes já mostraram disponibilidade para favorecer um governo liderado por Eisenkot para tirar Netanyahu do poder, porém o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas não manifestou interesse em formar aliança com a minoria.
"Quem quiser oferecer uma alternativa substancial e autêntica ao governo sanguinário de Netanyahu deverá falar conosco para abrir caminho à mudança que o povo israelense deseja ardentemente", disse nesta semana Yousef Jabareen, líder da coalizão árabe Lista Conjunta, que viu sua bancada aumentar de cinco para 11 deputados.
Já a Lista Árabe Unida (Ra'am), de Mansour Abbas, tinha cinco cadeiras e agora conquistou oito. No entanto, o líder do partido de oposição Yisrael Beiteinu, Avigdor Lieberman, aliado de Eisenkot, afirmou nesta quinta (29) que aceitará somente coalizões compostas "exclusivamente por legendas sionistas".
Isso incluiria até o Likud, "desde que Bibi [apelido de Netanyahu] seja excluído". Uma hipótese é que Eisenkot forme um governo de minoria, sem a participação formal dos árabes, que se absteriam.
Enquanto isso, a Comissão Eleitoral Central pediu a abertura de uma investigação sobre supostas interferências estrangeiras por parte do Catar.
A suspeita diz respeito a uma alegada transferência de dinheiro para reduzir a abstenção nas comunidades árabes "por meios ilegais". O Likud definiu o caso como um "ataque à democracia", porém o governo catariano desmentiu "categoricamente" as acusações.
"Já acusaram o Catar de ter corrompido Netanyahu, a esquerda israelense e, agora, o voto árabe. Trata-se de acusações tão ridículas quanto perigosas", disse o Ministério das Relações Exteriores de Doha.
Por sua vez, Sami Abou Shahadeh, líder do Balad, uma das legendas da Lista Conjunta, acusou o governo Netanyahu de "construir uma calúnia racista para anular o veredicto popular".
"Um homem acusado de corrupção, fraude e abuso de confiança continua incitando ao ódio contra 20% dos cidadãos do país", acrescentou.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.