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Após relatório, Papa promete justiça a vítimas de abusos

Documento revelou casos de pedofilia em Munique, Alemanha

21 jan 2022 08h05
| atualizado às 09h53
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Um dia após a divulgação de um relatório sobre casos de pedofilia na Arquidiocese de Munique, o papa Francisco afirmou nesta sexta-feira (21) que a Igreja Católica tem o compromisso de "fazer justiça" às vítimas de crimes cometidos pelo clero.

Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano
Papa Francisco durante audiência geral no Vaticano
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O pontífice deu a declaração durante uma audiência com integrantes da Congregação para a Doutrina da Fé, mas sem citar a investigação conduzida na Alemanha.

"A Igreja, com a ajuda de Deus, está levando adiante o firme compromisso de fazer justiça às vítimas dos abusos praticados por seus membros, aplicando com particular atenção e rigor a legislação canônica prevista", disse Francisco.

Um relatório divulgado na última quinta-feira (21) lista pelo menos 497 alvos de abusos sexuais na Arquidiocese de Munique e Freising entre 1945 e 2019 e aponta "comportamentos errôneos" do papa emérito Bento XVI em quatro casos.

A investigação foi conduzida pelo escritório de direito Westpfahl Spilker Wastl, a pedido da própria Igreja alemã, e diz que a maior parte das vítimas era do sexo masculino, sendo que 60% tinham entre oito e 14 anos de idade.

O relatório ainda lista pelo menos 235 agressores, incluindo 173 padres, nove diáconos, cinco referentes pastorais e 48 funcionários escolares.

Entre outras coisas, o documento diz que Bento XVI, arcebispo de Munique entre 1977 e 1982, não tomou nenhuma atitude contra quatro padres acusados de abuso sexual em sua arquidiocese.

Um deles foi o sacerdote Peter Hullerman, transferido de Essen para Munique em 1980, após ter sido acusado de violentar um garoto de 11 anos, e que manteve suas funções pastorais apesar da denúncia.

A desculpa para a transferência era de que o sacerdote, que admitira o crime, estava passando por tratamento psiquiátrico em Munique - a denúncia não foi reportada à polícia pelas autoridades católicas.

Em 1986, já com Joseph Ratzinger no Vaticano, Hullerman seria condenado por abusar de outras crianças, porém com pena suspensa, e acabou se tornando símbolo de como a Igreja alemã tratava casos do tipo.

O relatório também diz que "não foi identificável" um eventual interesse do atual papa emérito pelas vítimas. Em declaração por escrito incluída no inquérito, Ratzinger nega as acusações e afirma que não sabia do histórico de abusos de Hullerman.

Após a divulgação do relatório de Munique, a Santa Sé afirmou que ainda não conhece o conteúdo do documento e que, nos próximos dias, "poderá examinar seus detalhes".

"Ao reiterar o senso de vergonha e o remorso pelos abusos contra menores cometidos por clérigos, a Santa Sé assegura proximidade a todas as vítimas e confirma o caminho de proteger os menores, garantindo a eles ambientes seguros", disse o porta-voz Matteo Bruni, sem mencionar as citações a Bento XVI.

Ansa - Brasil   
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