Após novos ataques à Ucrânia, Zelensky acusa Rússia de 'não mudar de atitude'
A Rússia não "demonstrou qualquer mudança de atitude" após uma nova onda de ataques contra a Ucrânia, afirmou nesta quinta-feira (22) o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. Apesar da retomada dos esforços diplomáticos impulsionados pela visita do emissário americano Steve Witkoff, Moscou lançou durante a noite 21 mísseis balísticos e mais de 200 drones contra diversas regiões do país, incluindo Kiev. Os bombardeios danificaram instalações de energia e deixaram ao menos dois mortos e 34 feridos.
Após novos ataques mútuos, Ucrânia e Rússia sinalizaram disposição para retomar negociações de paz mediadas pelo enviado do presidente dos EUA, Donald Trump. Apesar do otimismo da Casa Branca, persistem profundos impasses territoriais sobre Donetsk e os termos de um cessar-fogo. Paralelamente, crescem os atritos diplomáticos entre Trump e Volodymyr Zelensky, que resultaram em restrições americanas temporárias ao acesso ucraniano a sistemas de satélite e alertas militares de defesa.
Segundo Zelensky, os ataques mostram que Moscou não mudou de postura. "Quase imediatamente após uma nova rodada de negociações, a Rússia realizou um ataque direcionado", afirmou o presidente ucraniano. A Rússia, por sua vez, declarou ter interceptado 808 drones ucranianos em mais de 20 regiões do país e na Crimeia anexada, deixando vários feridos.
Steve Witkoff, enviado especial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu-se na terça-feira (20) e na quarta (21) com Volodymyr Zelensky e líderes europeus em Oslo. Em seguida, viajou para São Petersburgo para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin, numa tentativa de reativar as negociações de paz, estagnadas desde o início do ano.
Após os encontros, Ucrânia e Rússia afirmaram estar dispostas a retomar negociações diretas sob mediação americana. Moscou mencionou uma possível rodada de conversas "por volta de 10 de novembro", enquanto Kiev defendeu que elas ocorram "o mais rapidamente possível".
Em São Petersburgo, Witkoff afirmou ter apresentado "novas ideias" para encerrar a guerra iniciada em 2022 e classificou as negociações como "construtivas". Donald Trump demonstrou otimismo e afirmou que uma solução pode estar próxima. O Kremlin, porém, moderou as expectativas e avaliou que as propostas apresentadas por Kiev e pelos europeus em Oslo trouxeram poucos avanços.
As partes já haviam realizado negociações em 2025 sem resultados concretos. As conversas foram suspensas após o início da guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel, em fevereiro.
Persistem divergências profundas entre Moscou e Kiev. A Ucrânia defende um cessar-fogo imediato nas atuais linhas de frente como ponto de partida para negociações de paz. A Rússia, por outro lado, exige um acordo político prévio antes de qualquer suspensão dos combates.
O principal impasse continua sendo a questão territorial. Moscou exige que as forças ucranianas deixem as áreas que ainda controlam na região de Donetsk, no leste do país, condição considerada inaceitável por Kiev.
Tensões entre Trump e Zelensky
Além da guerra na Ucrânia, o Kremlin pretende discutir com Washington a arquitetura de segurança da Europa e a expansão da Otan em direção às fronteiras russas, tema que Moscou classifica como uma "ameaça existencial".
Segundo o assessor diplomático do Kremlin, Iúri Uchakov, está em preparação uma reunião entre Putin, Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, durante a cúpula da Apec, prevista para novembro na China.
A retomada dos esforços diplomáticos ocorre em meio ao agravamento das tensões entre Zelensky e Trump. O presidente americano critica os ataques ucranianos contra refinarias russas, argumentando que eles agravam a escassez global de combustíveis e pressionam os preços internacionais. Trump também acusa Zelensky de resistir a um acordo negociado com Moscou.
O líder ucraniano, por sua vez, critica o acordo firmado entre Rússia e Estados Unidos para ampliar a oferta de diesel nos mercados internacionais e flexibilizar parte das sanções impostas a Moscou.
A troca de acusações levou, nos últimos dias, à suspensão dos alertas antecipados fornecidos pelos Estados Unidos sobre lançamentos de mísseis russos e à limitação do acesso ucraniano à rede de satélites Starlink, da SpaceX, fundamental para as comunicações militares de Kiev. Washington, porém, negou qualquer mudança em seu apoio à Ucrânia.
Com agências
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