Apesar de acordo-quadro acertado em Washington, Israel mantém ataques ao Líbano
Israel voltou a realizar ataques no sul do Líbano neste domingo (28), dois dias depois de os dois países terem assinado um acordo-quadro que visa uma "paz duradoura". No sábado, uma série de disparos israelenses deixou um morto na região, segundo o Ministério da Saúde libanês.
O exército israelense diz que tem como alvo os combatentes do Hezbollah perto do que chama de "zona segura". Também anunciou a morte de um soldado durante os combates, elevando as perdas para 38 no país vizinho, onde enfrenta o movimento islâmico.
O exército indicou que o autor do ataque, um "terrorista do Hezbollah", foi localizado perto do local do confronto e "eliminado por soldados".
O Líbano foi arrastado para o conflito no início de março, quando o grupo xiita aliado do Irã atacou Israel em apoio a Teerã, após a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel ao país. Em resposta, Tel Aviv lançou uma campanha de ataques aéreos e enviou tropas para o sul do Líbano, matando mais de 4,2 mil pessoas, segundo as autoridades libanesas.
Uma trégua anunciada em 17 de abril nunca foi respeitada, mas os confrontos diminuíram bastante desde a assinatura, em 17 de junho, de um memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã, do qual Teerã exigiu que o fim dos combates no Líbano fizesse parte.
Desarmamento do Hezbollah
Ao mesmo tempo, Israel e o Líbano iniciaram discussões diretas mediadas por Washington, as primeiras em décadas entre os dois países, que tecnicamente ainda permanecem em estado de guerra. Um acordo-quadro de cessar-fogo foi concluído na sexta-feira, descrito como "histórico" pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
Em uma conversa telefônica com o presidente dos EUA, Donald Trump, o presidente libanês, Joseph Aoun, garantiu que Beirute iria "assumir suas responsabilidades" na implementação do acordo, que condiciona a retirada israelense do país ao desarmamento do movimento xiita - uma exigência de longa data de Israel que o Líbano afirma estar tentando implementar.
'Dedo no gatilho'
O Hezbollah se opôs ao acordo, e o seu vice-líder, Hassan Hassan Fadlallah, disse no domingo que o texto "não seria implementado". "O nosso dedo permanecerá no gatilho, continuaremos o nosso caminho de resistência para alcançar os nossos objetivos e exerceremos o nosso legítimo direito de defender o nosso povo", declarou ele, durante uma cerimônia comemorativa.
O que as autoridades fizeram "equivale a uma sedição que visa mergulhar o país no caos e transformar o conflito com o inimigo em um conflito interno", acrescentou.
Denunciando um "grave erro", o líder do grupo, Naim Qassem, criticou no sábado um texto "humilhante, vergonhoso, que representa um abandono da soberania", acusando as autoridades libanesas de "legitimar a continuação da ocupação israelense".
Apoiadores do Hezbollah manifestaram-se na noite de sexta-feira, e um correspondente da AFP viu, na estrada para o aeroporto de Beirute, em um reduto do Hezbollah, placas com a inscrição "Líbano primeiro" incendiadas.
O Irã, por sua vez, reiterou suas exigências de uma retirada total de Israel. "O nosso objetivo é acabar com a guerra no Líbano, permitir o regresso dos deslocados às suas casas, pôr fim à ocupação e obter a retirada do regime sionista do território libanês, e estamos perseguindo seriamente esse objetivo", sublinhou o presidente do Parlamento iraniano e negociador-chefe do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, em uma ligação para o seu homólogo libanês Nabih Berri.
Com AFP
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