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Após terremotos, Venezuela tenta retomar normalidade em meio à crise

Metrô de Caracas foi reaberto, mas hospitais estão um caos

28 jun 2026 - 15h23
(atualizado às 15h32)
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Quatro dias após a fatídica tarde de quarta-feira (24), a capital venezuelana, Caracas, luta para voltar à normalidade. O metrô foi reaberto, e as principais vias foram desobstruídas. No entanto, os hospitais estão no limite, enfrentando escassez de praticamente tudo.

Metrô de Caracas foi reaberto, mas hospitais estão um caos
Metrô de Caracas foi reaberto, mas hospitais estão um caos
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 680 mil crianças precisam de assistência médica, enquanto o número provisório de mortos permanece estagnado em pouco mais de 1,4 mil, provavelmente apenas porque as equipes de resgate estão concentrando seus esforços em encontrar possíveis sobreviventes. Infelizmente, haverá tempo suficiente mais tarde para recuperar os corpos.

Pilhas de escombros ainda se acumulam nas ruas, e muitos edifícios estão danificados e inseguros. Mesmo assim, a vida cotidiana tenta retomar seu curso, impulsionada, em grande parte, pelo governo do país, que buscou, desde o início, transmitir mensagens tranquilizadoras à população. O primeiro sinal concreto é a retomada das operações de certos sistemas de transporte na capital, bem como em Maracaibo e Valência.

"Recebemos autorização para retomar as operações após uma análise da situação. Concentramo-nos em garantir a segurança, avaliando cada trilho, os túneis e o sistema automatizado", afirmou a ministra dos Transportes de Caracas, Jacqueline Faría.

No entanto, a situação da saúde permanece crítica. A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) relatou que os hospitais de Caracas e La Guaira estão sob forte pressão devido ao fluxo de feridos, enquanto veículos improvisados transportando diversos corpos continuam a chegar.

"A cidade de La Guaira parece uma zona de guerra", disse Andreas Spaett, diretor de programas da MSF na Venezuela, enquanto a distribuição de kits médicos, contendo medicamentos, antibióticos, analgésicos e grandes quantidades de materiais para curativos de emergência, continua sem trégua.

Os hospitais também se tornaram um ponto de encontro para muitos familiares em busca de informações sobre seus entes queridos desaparecidos. Nos centros médicos que atendem os feridos, os familiares verificam atentamente as listas afixadas nas paredes. Para facilitar a busca, o governo lançou um site (localizapacientes.com) que permite identificar as pessoas pelo nome ou documento de identidade. Aproximadamente 72 horas após o terremoto, a plataforma havia registrado mais de 2,5 mil pacientes.

Enquanto isso, prossegue o esforço desesperado para salvar a vida daqueles que ainda estão presos sob os escombros. Os Estados Unidos anunciaram a chegada de vários helicópteros dos Fuzileiros Navais para auxiliar nas buscas pelos desaparecidos. Seis meses após a operação que capturou Nicolás Maduro, militares americanos estão de volta ao território venezuelano, embora, desta vez, não para disparar, mas para salvar vidas.

Juntam-se a eles mais de 2.140 socorristas especializados e 128 cães treinados, vindos de mais de 30 países. Uma segunda aeronave da Força Aérea Italiana, transportando bombeiros, barracas e ajuda humanitária, chegou durante a noite, anunciou o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, na rede social X.

A mobilização da população local também é profundamente comovente. Seu grito de guerra é "o povo ajudando o povo", um movimento popular espontâneo que mal consegue suprir as graves deficiências do sistema público. A televisão estatal fala incessantemente de uma "Venezuela totalmente unida", exaltando tanto a generosidade do povo quanto a suposta eficácia da resposta institucional. No entanto, a chama da dissidência continua a arder sob a superfície. A decisão de classificar La Guaira como "zona vermelha", sob controle militar, já provocou alguns protestos.

O objetivo do governo é evitar o caos e os engarrafamentos observados nos últimos dias, a fim de facilitar a chegada do enorme fluxo de ajuda vindo de todo o mundo. No entanto, em postos de controle policiados, muitos voluntários contestaram a decisão de impedir sua entrada.

Enquanto isso, Rodríguez visitou La Guaira após reunir-se com delegações de 20 países durante a madrugada. A presidente interina inspecionou o principal centro de coleta no Complexo Esportivo José María Vargas para supervisionar o recebimento e a distribuição de ajuda às pessoas desalojadas.

"Nenhum indivíduo ou família afetada foi deixado ao abandono ou isolado institucionalmente durante estas horas críticas", garantiu ela à imprensa estatal.

O número de vítimas também inclui cidadãos estrangeiros. Além dos quatro ítalo-venezuelanos, a comunidade mais atingida até o momento é a portuguesa, com 28 mortos e 85 desaparecidos, seguida pela comunidade espanhola, que soma nove vítimas e 131 desaparecidos. .

Ansa - Brasil
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