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ANÁLISE/É cedo para falar em colapso do regime no Irã, diz especialista

Italiano explicou que sistema iraniano é 'robusto' e resiliente

1 mar 2026 - 16h23
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Por Francesco De Filippo - Apesar dos ataques em curso e da comoção provocada pela morte de Ali Khamenei, líder supremo do Irã, o regime dos aiatolás pode não estar tão próximo do colapso quanto Estados Unidos e Israel gostariam.

    Em entrevista à ANSA, Federico Donelli, professor de relações internacionais da Universidade de Trieste, na Itália, sustenta que a estrutura político-institucional construída no país persa nas últimas quatro décadas é robusta e organizada de forma horizontal, o que lhe confere capacidade de resistir mesmo a abalos significativos.

    "Em 40 anos, foi criada e consolidada no Irã uma estrutura que pode seguir adiante e funcionar", afirmou Donelli, referindo-se à capacidade de resiliência do sistema diante de ataques como o que vitimou Khamenei. Para o professor, "ainda é cedo para falar em colapso do regime".

    O especialista ressalta que, diferentemente do que ocorre em sistemas de estrutura vertical ? como no caso da Venezuela, onde a eliminação da cúpula do poder poderia alterar completamente o cenário ?, no Irã, as forças militares e as instituições estão organizadas de maneira a permitir a continuidade.

    A morte de Khamenei, ainda que seja "uma mudança significativa" que abre "uma nova fase para o país", já foi acompanhada pela indicação de uma liderança interina, responsável por gerir a emergência e conduzir o processo de sucessão, sempre "dentro da elite" dominante.

    Donelli chama a atenção para a complexidade do quadro interno iraniano. Existe uma dissidência, tanto dentro quanto fora do país, mas os opositores internos, segundo ele, não desejam um modelo de transição imposto por potências estrangeiras.

    O professor aponta ainda o que classifica como "o elefante na sala" do tabuleiro geopolítico no Oriente Médio: os países do Golfo, que "não querem Israel como líder regional".

    Para ele, a narrativa ocidental que apresenta o Irã como "a matriz de todos os males" e Israel como "baluarte da democracia" é uma "categoria velha", que dificilmente será aceita pela região. "A prescindir de Khamenei, não se quer que Israel preencha o vácuo", explicou.

    Para Donelli, as represálias iranianas são uma tentativa de pressionar nações como Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Kuwait a interceder junto aos EUA pela interrupção das hostilidades.

    "Não estava nos planos [do Irã] um conflito regional que arrastasse a todos. O objetivo é a sobrevivência do regime. Um conflito alargado poria em risco vários regimes, inclusive o saudita", argumenta.

    O especialista também minimiza a possibilidade de uma união entre xiitas e sunitas em resposta à crise. "Não creio que se criará um bloco muçulmano. Hoje, os países tendem a mover-se de modo autônomo, ganhando mais quando são flexíveis", afirma. No entanto ele adverte que as comunidades muçulmanas ao redor do mundo, inclusive na Europa, podem ter "ondas de radicalismo". "A ideia do martírio no Islã parte do xiismo", alerta, o que poderia transformar Khamenei em mártir. .

Ansa - Brasil
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