Quartel militar garante paz aos moradores de Mier, no México
Os habitantes da Cidade Mier, uma comunidade da região nordeste do México assombrada pela violência do crime organizado, começaram a retornar para seus lares graças à construção de um quartel militar, afirmaram as autoridades do município. "Agora, precisamos nos acostumar a viver perto dos soldados", disse um cidadão à Agência
Efe.
A Cidade Mier é uma região estratégica para as autoridades turísticas mexicanas, localizada no estado de Tamaulipas e próximo da fronteira com os Estados Unidos. No final de 2010, por causa da ação violenta dos narcotraficantes, a Cidade Mier sofreu com um grande êxodo de sua população, com cerca de 6,3 mil habitantes.
Com medo das constantes ameaças, os moradores partiram em direção aos municípios vizinhos e também aos Estados Unidos. "A situação era bastante difícil e nos sentíamos como se estivéssemos em uma guerra de verdade", declarou Alberto, um comerciante local, à Efe.
Cidade Mier é situada em uma região conhecida como a Frontera Chica, no nordeste do país. A região sofreu uma inusitada onda de violência após a quebra de acordo entre os cartéis de drogas do Golfo e a organização criminosa Los Zetas, em março de 2010.
De acordo com o comerciante, o conflito se estendeu por mais de seis meses. A troca de tiros entre os grupos rivais era diária, sendo que algumas duravam até oito horas. No fim, as ruas ficavam inteiramente cobertas por cápsulas de bala. "Duvido que haja outra parte do país que tenha sofrido o que aconteceu neste município", sustentou Alberto.
O general Miguel Gustavo González Cruz, comandante da oitava Zona Militar, com sede na cidade de Reynosa, em Tamaulipas, falou que na Fronteira Chica há um grande espaço para ilegalidade. As características do espaço facilitam a ação do tráfico de drogas, de armas e mercadorias, além da imigração clandestina para os Estados Unidos.
O general lembrou que os conflitos envolvendo os cartéis do Golfo e a organização Los Zetas forçaram cerca de 7 mil habitantes deixar a Cidade Mier e partir para cidades vizinhas.
Para controlar a situação de insegurança, a Secretaria da Defesa Nacional ordenou a construção de um quartel na Cidade Mier, que serve de abrigo para mais de 500 soldados. A nova medida já apresenta resultados positivos, reduzindo o número de conflito entre os grupos criminosos.
Após a chegada dos militares, cerca de 4,8 mil moradores retornaram para suas casas, reabriram seus comércios e reativaram a economia local. Além disso, o mais importante é que "as crianças também já retornaram para as escolas", manifestou uma professora do ensino básico.
As escolas públicas também estão sendo remodeladas pelos militares. A professora contou que as crianças já sabiam que ao escutar o primeiro disparo elas tinham que se atirar no chão, uma medida de proteção que repetia nas casas, comércios e escritórios de Cidade Mier. "Com a chegada dos militares e a construção do quartel, faz uns quatro meses que nos sentimos mais seguros", acrescentou a professora.
Por outro lado, um comerciante do centro da cidade, especificou: "O povo ainda não retornou totalmente, a economia ainda está crítica, porém, tudo era muito pior meses atrás".
O general González Cruz destacou que estão sendo construídos outros dois quartéis: no município de San Fernando, onde 72 pessoas foram massacradas no ano passado, e na Cidade Mante, outra área de extrema violência no estado de Tamaulipas.
Além do conflito entre narcotraficantes, a população do nordeste do México também tem outras preocupações, como a reconstrução do sistema de drenagem, inteiramente destruído após a passagem do furacão "Alex", em julho de 2010. Até agora, os moradores são obrigados a contar com o uso de caminhões-pipa.
Aos poucos, a região começa normalizar a rotina, porém, as marcas da violência ainda estão presentes nas casas, nos negócios e até nas fachadas das igrejas, quase todas com perfurações de bala e vidros quebrados.