Negociações entre Israel e Líbano para acabar com guerra avançam, diz Rubio
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse nesta quinta-feira (25) que há avanços nas negociações entre o Líbano e Israel, que lidera uma ofensiva contra o Hezbollah. "Estamos muito perto de obter um compromisso de intenção por parte dos dois países", declarou ele a jornalistas durante uma visita ao Bahrein, uma das etapas de sua viagem aos países do Golfo, que inclui Kuwait e Emirados Árabes Unidos.
"Será um processo, levará tempo, exigirá muito trabalho, mas posso dizer que, pela primeira vez em 30 anos, o governo soberano do Líbano está se dirigindo diretamente ao governo israelense", afirmou Rubio.
Israel e o Líbano participaram nesta semana, em Washington, de uma quinta rodada de negociações que deve, a longo prazo, levar a um acordo de paz. As discussões desta semana em Washington, que terminam na quinta-feira, envolvem questões polêmicas, como a criação de "zonas piloto" sob controle do Exército libanês.
As autoridades libanesas iniciaram em abril negociações diretas com Israel em Washington, as primeiras em décadas. Os Estados Unidos e o presidente libanês Joseph Aoun defendem que essas negociações devem ser feitas à parte, embora o Irã as vincule ao conflito com os EUA.
O secretário de Estado americano também afirmou que um acordo com o Irã não deve ser feito "a qualquer preço" e mencionou o risco de um "caos total" caso Teerã passasse a cobrar pelo trânsito no Estreito de Ormuz, por onde circulavam 20% do comércio mundial de hidrocarbonetos antes da guerra, iniciada em fevereiro.
O Irã avalia a imposição de "taxas de uso", que não existiam antes da guerra. Os Estados Unidos já se declararam contra essa possibilidade. Mas a Guarda Revolucionária, o exército ideológico do regime, ameaçou responder com "medidas apropriadas" a qualquer tentativa de travessia sem sua autorização prévia.
"Queremos garantir que nenhuma parte desse acordo prejudique, de qualquer maneira, a segurança, a estabilidade ou a prosperidade de qualquer um de nossos parceiros na região do Golfo", afirmou Marco Rubio.
O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, destacou as "incertezas" que afetam esses países com a guerra envolvendo o Irã. Nesse contexto, Omã anunciou a abertura de um "corredor marítimo temporário", apresentado como uma iniciativa realizada em coordenação com a ONU.
Fim da guerra?
O Irã e os Estados Unidos assinaram em 17 de junho um protocolo para pôr fim ao conflito, seguido de 60 dias de negociações para obter um acordo duradouro. Uma reunião técnica com a delegação iraniana está prevista para os dias 29 ou 30 de junho, na Suíça, segundo Marco Rubio.
Mas muitas divergências persistem, relacionadas ao estreito de Ormuz e ao programa nuclear. As críticas se multiplicam nos Estados Unidos sobre as concessões feitas por Donald Trump. O presidente, em queda de popularidade, busca encerrar a guerra o mais rapidamente possível.
A Casa Branca teve de pedir ao Congresso americano um orçamento suplementar de cerca de US$ 88 bilhões para reconstituir seus estoques de munição após a guerra. Na questão nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) assegurou que as inspeções no Irã ocorrerão, sem estabelecer uma data.
Irã acusa Otan de 'cumplicidade'
Teerã sempre negou querer desenvolver uma bomba atômica, mas defende seu direito a um programa nuclear civil completo. O Irã também acusou na quinta-feira a Otan de "cumplicidade" na guerra desencadeada contra ele pelos Estados Unidos e Israel, criticando especialmente a Itália e a Romênia por terem permitido que aviões americanos utilizassem suas bases durante o conflito.
"Trata-se de uma admissão clara e grave da cumplicidade ativa da organização em uma guerra de agressão ilegal", escreveu no X o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Baghai. Sobre o Líbano, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou na quarta-feira que o fim da guerra no país é "tão importante" quanto o fim do conflito no próprio Irã.
No entanto, o Hezbollah libanês acusou na quarta-feira Israel de uma nova "violação" do cessar-fogo, após um drone israelense causar duas mortes no sul do país, região que Israel agora ocupa parcialmente.
Com agências
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