Justiça do Peru decreta prisão de suspeito de recrutar combatentes para a Rússia
Um tribunal do Peru ordenou a prisão preventiva de um homem investigado por tráfico de pessoas e acusado de oferecer falsas oportunidades de trabalho a peruanos que acabaram combatendo pela Rússia na guerra contra a Ucrânia.
A Justiça do Peru decretou a prisão preventiva de Pocho Pinto por tráfico de pessoas, acusado de aliciar peruanos para atuar na guerra pela Rússia sob falsas promessas de trabalho seguro. Uma das vítimas morreu no front militar. O caso expõe um esquema internacional mais amplo: segundo a Anistia Internacional e investigações locais, milhares de pessoas de países de baixa renda, como Brasil e Colômbia, têm sido recrutadas mediante fraude para combater no exército russo.
O Ministério Público do Peru informou, neste sábado (11), em comunicado, que a Justiça decretou a prisão preventiva de Pocho Pinto, de 54 anos, por 14 meses, enquanto tramita uma investigação contra ele por tráfico de pessoas para fins de exploração trabalhista.
Pinto é acusado de ter enviado à Rússia um homem identificado como Julio Salazar, que morreu no front de batalha em abril, assim como outros três peruanos que sobreviveram.
"Pinto teria coordenado, financiado e facilitado o transporte internacional de Salazar e de outras vítimas, em março de 2026, para que trabalhassem como pessoal de segurança em uma base militar na Federação Russa", com a promessa de salários de US$ 2.300 mensais, afirma a Promotoria.
Em abril, a embaixada da Rússia no Peru reconheceu, em comunicado, a existência de peruanos que assinaram contratos para prestar serviço militar nas Forças Armadas do país. A representação diplomática, no entanto, alegou que as decisões foram voluntárias e respeitaram a legislação russa.
Vários países afetados
Um relatório da Anistia Internacional publicado em setembro afirma que a Rússia recrutou, por meio de fraude, milhares de pessoas de países de baixa renda, incluindo cidadãos do Brasil, da Colômbia, de Cuba, do Sri Lanka e da África do Sul.
As Promotorias do Peru e da Bolívia mantêm investigações abertas sobre esses esquemas em seus respectivos países, enquanto o Ministério das Relações Exteriores da Colômbia afirma ter recebido mais de 800 relatos de cidadãos colombianos em situação semelhante.
Na Colômbia, a embaixada russa negou, em julho, ter vínculos com redes de recrutamento, após a divulgação de uma investigação do canal Noticias Caracol, que reuniu depoimentos e documentos de colombianos que denunciaram ter sido enviados pela Rússia ao front.
Com AFP
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