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Alemães apoiam democracia, mas muitos estão insatisfeitos com ela

23 fev 2026 - 17h32
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Apoio à democracia chega a 98%, mas menos de dois terços se mostram satisfeitos com o funcionamento dela na Alemanha, revela estudo financiado pelo governo alemão.A quase totalidade da população da Alemanha apoia a ideia de democracia, mas apenas 60% estão satisfeitos com o funcionamento dela, segundo o relatório Monitor da Alemanha 2025, divulgado na semana passada.

Estudo do governo mostrou também que nem todos entendem como funciona uma democracia
Estudo do governo mostrou também que nem todos entendem como funciona uma democracia
Foto: DW / Deutsche Welle

Nos estados da antiga Alemanha Ocidental, esse percentual é de 62% e, no Leste Alemão, cai para pouco mais da metade, chegando a 51% - embora, para surpresa dos autores, o índice na antiga Alemanha Oriental tenha aumentado significativamente nos últimos tempos (era de 43% em 2023).

Essa conclusão foi saudada pela encarregada do governo alemão para o Leste, Elisabeth Kaiser (SPD). "É bom que a democracia como forma de governo tenha o apoio integral dos cidadãos. Isso também se verifica no Leste", disse ela em Berlim, durante a apresentação do relatório.

De um modo geral, o apoio à ideia de democracia é muito alto, de 98%, e 89% dos entrevistados rejeitam uma ditadura "sob qualquer circunstância".

Porém, quando questionados sobre como funciona uma democracia, 68% concordam que, neste regime, o Executivo deve acatar decisões do Parlamento e respeitar a separação de Poderes, e apenas 45% rejeitam o regime de partido único. No Leste, esses percentuais são "ligeiramente menores".

Já a parcela dos que se mostram suscetíveis a mudanças de cunho autoritário é de 21%.

Por isso, a conclusão do estudo é de que o alto nível de apoio popular à democracia não é garantia de rejeição unânime a uma transformação de viés autocrático ou autoritário na sociedade.

Mudanças sobretudo na área de defesa

O foco do estudo eram as mudanças na democracia alemã. Entre outros pontos, os entrevistados foram questionados sobre as áreas da política nas quais mais percebiam mudanças.

De forma nada surpreendente, a sensação mais forte de mudança foi na área da defesa. O tema está presente na sociedade alemã desde o início da guerra na Ucrânia, há quase quatro anos, sobretudo com foco no fortalecimento das Forças Armadas alemãs e nas dúvidas sobre a proteção oferecida pelos Estados Unidos no âmbito da Otan.

O sociólogo Reinhard Pollak conduziu o estudo juntamente com sete colegas. "Um quarto da população alemã quer mudanças. Esse grupo afirma que são necessárias mudanças multifacetadas. Outro quarto se mostra cético e diz que a mudança é muito rápida e profunda demais. E um amplo grupo intermediário se mostra ambivalente e diz 'depende'. O que nos surpreendeu foi existir um panorama tão pronunciado e que as pessoas não estejam predominantemente cansadas de mudanças", diz.

Segundo o estudo, os alemães também têm opiniões bem diferenciadas sobre questões políticas complexas: sobre o controverso tema da migração, por exemplo, uma grande maioria de 68% acredita que o país deveria recrutar trabalhadores especializados no exterior. E 59% acham que o Estado deve promover melhor a integração dos que chegam. Mas 28% opinam que o aumento da imigração desde 2015 piorou muitas coisas.

Ceticismo é maior em regiões pobres

Embora o apoio à democracia seja alto em toda a Alemanha, existem diferenças entre o Leste e o Oeste em outras questões. No lado ocidental, por exemplo, o otimismo e a disposição para aceitar mudanças não dependem de o entrevistado viver numa área mais favorecida ou numa mais pobre. No Leste, sim.

O mesmo vale para a maneira como as pessoas avaliam a Reunificação: no Oeste, cerca de 55% de todos os entrevistados veem a unidade alemã de forma positiva, enquanto no Leste, o número oscila entre 72% de aprovação em áreas economicamente mais fortes, especialmente nas cidades, e 49% em regiões menos abastadas.

O estudo representativo foi conduzido pelo Centro de Pesquisas Sociais da Universidade de Halle-Wittenberg, pela Universidade de Jena e pelo Instituto de Ciências Sociais Gesis-Leibniz, e é financiado pela encarregada do governo alemão para o Leste da Alemanha.

Ao longo de 2025 em todo o país, cerca de 4 mil pessoas acima de 16 anos foram entrevistadas, e outras 4 mil foram entrevistadas em regiões selecionadas.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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