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Agricultores italianos apoiam veto à carne do Brasil e pedem reciprocidade nos acordos

União Europeia vai proibir importação de produtos a partir desta quinta (3)

2 set 2026 - 07h46
(atualizado às 09h39)
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Resumo
A Confederação Italiana de Agricultores apoiou a decisão da União Europeia de suspender a importação de carnes e derivados do Brasil devido a divergências sanitárias, como o uso de antimicrobianos. A entidade defende que a medida estabeleça um precedente para que o princípio da reciprocidade guie os acordos comerciais do bloco, exigindo que produtos estrangeiros sigam os mesmos padrões europeus de segurança alimentar, bem-estar animal e normas ambientais para garantir uma concorrência justa.

A Confederação Italiana de Agricultores (Cia-Agricoltori Italiani), uma das maiores organizações comerciais da Itália, afirmou nesta quarta-feira (2) que a decisão da União Europeia de suspender as importações de carne brasileira e de outros produtos de origem animal, representa uma possível mudança de rumo na política comercial do bloco.

Proibição entrará em vigor após descumprimento de padrões sanitários
Proibição entrará em vigor após descumprimento de padrões sanitários
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A entidade italiana defende que o princípio da reciprocidade deixe de ser uma exceção e passe a orientar todos os acordos de livre comércio firmados pela União Europeia.

"É uma decisão importante, que vai ao encontro do que a Cia defende há muito tempo", afirmou o presidente nacional da organização, Cristiano Fini.

Segundo ele, a Europa deve assegurar "regras e condições iguais para todos", para que os acordos comerciais funcionem como instrumentos de crescimento econômico, e não como fontes de dificuldades para as empresas europeias.

Para a Cia-Agricoltori Italiani, a reciprocidade significa exigir que produtores e operadores de países de fora da UE cumpram padrões equivalentes aos aplicados às empresas europeias em áreas como produção, segurança alimentar, proteção ambiental, direitos trabalhistas e bem-estar animal.

A entidade considera "inaceitável" que os agricultores europeus sejam submetidos a exigências cada vez mais rigorosas enquanto produtos fabricados sob regras diferentes tenham acesso ao mercado comunitário.

"O que aconteceu com o Brasil pode abrir um precedente", afirmou Fini. "Os agricultores europeus não pedem protecionismo, mas condições de concorrência equitativas." Na avaliação do executivo, a reciprocidade deve se tornar o princípio orientador dos futuros acordos comerciais da União Europeia. Dessa forma, o bloco poderia enfrentar a concorrência global sem comprometer a agricultura europeia, ao mesmo tempo em que protegeria consumidores e empresas.

A proibição das importações de carnes e outros produtos de origem animal do Brasil entrará em vigor na próxima quinta (3) e foi motivada pelo suposto descumprimento, por parte de produtores brasileiros, dos padrões sanitários exigidos pelo bloco, sobretudo em relação ao uso de antimicrobianos e antibióticos. 

Ansa - Brasil
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