Agosto de 2026 e julho de 2023 têm 'empate técnico' como os meses mais quentes da história, diz Copernicus
Com média de 16,96°C, agosto de 2026 tornou-se o mês mais quente da história, em empate técnico com julho de 2023, segundo o observatório Copernicus. O período registrou 1,65°C acima dos níveis pré-industriais, superando temporariamente a meta do Acordo de Paris. O calor extremo afetou o Hemisfério Norte, aqueceu oceanos e causou mais de 30 mil mortes na Europa. Cientistas alertam que a queima de combustíveis fósseis e a influência do El Niño impulsionam esses recordes sem precedentes em 100 mil anos.
O calor atingiu níveis inéditos em agosto em todo o planeta, de acordo com um relatório mensal divulgado pelo observatório climático europeu Copernicus, da União O mês foi o mais quente já registrado globalmente.
Em segundo lugar aparece julho de 2023, com temperatura média de 16,95°C. Segundo o Copernicus, a diferença entre os dois registros é tão pequena que eles podem ser considerados tecnicamente empatados. Com temperatura média do ar de 16,96°C, agosto de 2026 foi o mês mais quente já registrado, considerando todos os meses do ano, segundo os cálculos do Copernicus, cuja série histórica remonta a 1940.
"Agosto de 2026 foi um mês marcante na história do clima global", afirmou Samantha Burgess, cientista do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF), citada em um documento mensal do Copernicus.
De acordo com ela, em pelo menos 100 mil anos os seres humanos "nunca enfrentaram temperaturas tão elevadas". De Nova York a Tóquio, passando por Roma e Nova Déli, o verão de 2026 foi marcado por temperaturas extremas em todo o Hemisfério Norte, afetando o cotidiano de entregadores, trabalhadores da construção civil, turistas e pessoas mais vulneráveis.
O anúncio ocorre um dia após a agência meteorológica dos Estados Unidos informar que o país viveu seu verão mais quente em mais de 130 anos de medições. Com base em outras fontes de dados climáticos, cientistas afirmam que o período atual provavelmente é o mais quente enfrentado pela Terra nos últimos 125 mil anos.
"Enquanto a humanidade continuar queimando quantidades colossais de carvão, petróleo e gás, a poluição resultante continuará superaquecendo nosso planeta, e ondas de calor extremas continuarão quebrando recordes", afirmou Simon Stiell, chefe da ONU Clima.
Segundo ele, "as soluções são igualmente claras", incluindo uma transição mais rápida para energias limpas e a proteção das florestas e dos oceanos. O fenômeno climático El Niño também contribui neste ano para o aumento cíclico da temperatura dos oceanos, provocando secas e inundações. Cientistas temem que ele intensifique o aquecimento global e amplifique eventos meteorológicos extremos.
"A mudança climática torna cada episódio de El Niño mais quente e, enquanto continuarmos queimando carvão, petróleo e gás, meses de recordes sucessivos continuarão ocorrendo", afirmou Friederike Otto, professora de climatologia do Imperial College de Londres.
Ondas de calor
A temperatura média global ficou em agosto 1,65°C acima da média dos níveis pré-industriais, informou o Copernicus. Foi a primeira vez desde novembro de 2025 que esse patamar superou o limite estabelecido pelo Acordo de Paris, de 2015. O objetivo de 1,5°C, no entanto, é calculado com base na média de vários anos.
Durante o verão marcado por várias ondas de calor, a Europa Ocidental enfrentou "uma sucessão de ondas de calor excepcionalmente precoces, persistentes e intensas" e registrou o verão mais quente de sua história, superando o de 2003.
Em todo o continente europeu, a temperatura média do ar atingiu 20,26°C em agosto, 1,10°C acima dos níveis pré-industriais, tornando-se o terceiro verão mais quente já registrado. Dados provisórios da plataforma EuroMomo e de autoridades sanitárias apontam ainda para mais de 30 mil mortes em excesso registradas até o fim de agosto em 23 países europeus.
As ondas de calor também afetaram fortemente os oceanos. Segundo o Copernicus, a temperatura média da superfície dos mares fora das regiões polares alcançou o maior valor já registrado para um mês de agosto, empatando com o recorde observado em março de 2024.
Com AFP
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