Aeroportos de Roma cogitam suspender controle biométricos de turistas durante verão
Sistema EES substituiu o carimbo nos passaportes de viajantes de fora da UE
Os aeroportos de Roma podem ser forçados a suspender os controles biométricos exigidos pelo novo sistema europeu EES durante o pico do tráfego de verão para evitar um caos.
É o que disse o CEO da concessionária Aeroporti di Roma (ADR), Marco Troncone, em entrevista ao jornal Financial Times publicada nesta quinta-feira (25). A empresa é responsável pelos aeroporto de Fiumicino, o mais movimentado da Itália, e Ciampino.
"Estamos muito preocupados com o verão", afirmou o executivo, acrescentando que o novo método de controle de passaportes na UE "se mostra incompatível com os volumes de pico que enfrentaremos".
"A única saída é abrir a válvula. Não há como conseguirmos completar 100% dos registros", salientou.
O EES (sigla em inglês para "sistema de entrada e saída"), que entrou plenamente em operação em 10 de abril após repetidos adiamentos, substitui os carimbos nos passaportes de turistas de fora do bloco ? inclusive brasileiros ?, adotando controles biométricos como escaneamento do rosto e das impressões digitais no primeiro ingresso no Espaço Schengen. O sistema já registrou problemas tecnológicos e longas filas mesmo fora dos períodos de maior movimento.
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) teme que os tempos de espera possam chegar a seis horas nos aeroportos mais afetados com o aumento de visitantes no verão.
No início do mês, terminais gregos permitiram que britânicos pulassem os controles para aliviar a pressão.
Olivier Jankovec, diretor-geral do Conselho Internacional dos Aeroportos (ACI) na Europa, afirmou ao FT que "os processos precisam funcionar melhor" e que "os postos de autoatendimento não estão funcionando". Segundo ele, as normas permitem a suspensão dos controles biométricos mediante autorização, e vários gestores já interromperam temporariamente o sistema para desafogar o fluxo.
"Para os grandes meses de verão, precisamos da possibilidade de suspender completamente o registro no EES", acrescentou.
Em resposta, a Comissão Europeia, poder Executivo da UE, afirmou que as regras garantem "a flexibilidade necessária para assegurar a fluidez das fronteiras" e que a coleta de dados biométricos pode ser suspensa em circunstâncias excepcionais.
Contudo, ressaltou que "os longos tempos de espera muitas vezes não estão ligados ao funcionamento do EES, mas a fatores preexistentes, como falta de pessoal, limites de infraestrutura e concentração de voos", e que "cabe aos Estados-membros garantir a correta implementação" do mecanismo. .
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