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Acordo com Mercosul fortalece Europa na América Latina, diz Tajani

Ministro italiano anunciou grupo ítalo-brasileiro sobre comércio

9 set 2026 - 18h01
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Resumo
Em São Paulo, o chanceler italiano Antonio Tajani afirmou que o acordo entre União Europeia e Mercosul transcende o comércio, servindo como ferramenta geopolítica para aproximar a América Latina do Ocidente frente ao avanço chinês. Acompanhado de uma ampla comitiva empresarial, o ministro anunciou a criação de um grupo de trabalho bilateral para reduzir entraves burocráticos e celebrou a relação histórica com o Brasil, visando impulsionar negócios num mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

Por Marcello Campo - O vice-premiê e ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou nesta quarta-feira (9), em São Paulo, que a importância do acordo entre União Europeia e Mercosul vai além do comércio.

    Segundo ele, que participou do Fórum de Diálogo Itália-Brasil, na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), trata-se também de um instrumento geopolítico para aproximar a América Latina do Ocidente.

    "Nós somos o Ocidente e queremos que a América Latina seja cada vez mais parte do Ocidente. O acordo com o Mercosul é um instrumento crucial para tornar a Europa mais presente e mais forte na região", disse Tajani, destacando que não é possível separar política comercial de política externa, sobretudo em um subcontinente onde a China ganha terreno há anos.

    Segundo o chanceler, a presença europeia ? e italiana ? na América Latina é "alternativa a outras", em clara alusão a Pequim. Ele destacou que a Itália é o primeiro país a desembarcar na região com uma delegação empresarial tão ampla após a conclusão do acordo Mercosul-UE, com mais de 100 empresas.

    Após reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil, Márcio Elias Rosa, Tajani anunciou a criação de um grupo de trabalho ítalo-brasileiro sobre comércio, com encontros anuais. "Esse grupo terá também a tarefa de derrubar barreiras não tarifárias e problemas burocráticos, a fim de tornar mais ágeis os intercâmbios comerciais e os investimentos", explicou.

    Assim como em Buenos Aires, o ministro destacou também em São Paulo a história comum que une Itália e Brasil. "Em 2024, celebramos os 150 anos da imigração italiana no Brasil. Hoje, 1 milhão de cidadãos italianos vive no país, ao lado de cerca de 32 milhões de brasileiros de origem italiana: a maior comunidade de ítalo-descendentes do mundo. Um patrimônio extraordinário de laços familiares, cultura, valores e amizade", escreveu o vice-premiê em um editorial no jornal O Globo.

    Partindo desse vínculo profundo, Tajani está convencido de que os dois países devem olhar juntos para o futuro. "Queremos aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pelo Acordo UE-Mercosul, que garante às nossas empresas acesso a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Itália e Brasil reúnem todas as condições para fortalecer ainda mais a já sólida parceria econômica e torná-la um dos principais eixos da presença italiana na América Latina. O potencial é enorme. Em 2025, nosso intercâmbio comercial superou 11 bilhões de euros. O Brasil é o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul", acrescentou Tajani no artigo.

    Após a sessão plenária institucional com a confederação de industriais Confindustria na sede da Fiesp, o ministro se reuniu com os cônsules no Brasil e com a equipe do Consulado Geral em São Paulo; em seguida, realizou um encontro na sede da empresa Almaviva com CEOs selecionados de empresas da Itália na capital paulista, encerrando a agenda com um encontro com a coletividade italiana na cidade. .

Ansa - Brasil
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