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Moraes dá 48h para Bolsonaro explicar estadia de duas noites na embaixada da Hungria

Pelo direito internacional, embaixadas são áreas invioláveis, e o ex-presidente só poderia ser alcançado por agentes brasileiros, em caso de nova operação, com o consentimento do governo húngaro

26 mar 2024 - 07h51
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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de 48h para o ex-presidente Jair Bolsonaro explicar por que passou duas noites na embaixada da Hungria, em Brasília (DF).

Imagens de câmeras obtidas pelo NYT dentro da embaixada húngara –
Imagens de câmeras obtidas pelo NYT dentro da embaixada húngara –
Foto: Reprodução / Perfil Brasil

Moraes é relator do inquérito que investiga Bolsonaro, políticos e militares por tentativa de golpe de Estado.

No âmbito desse inquérito, no dia 8 de fevereiro, o ministro determinou a apreensão do passaporte do ex-presidente, para que Bolsonaro não deixasse o país.

Poucos dias depois, entre 12 e 14 de fevereiro, Bolsonaro ficou hospedado na embaixada da Hungria. A informação de que Bolsonaro teve uma estadia de dois dias na embaixada húngara foi noticiada em reportagem pelo jornal The New York Times. A publicação revelou imagens das câmeras de segurança.

Pelo direito internacional, embaixadas são territórios invioláveis, e Bolsonaro só poderia ser alcançado por agentes brasileiros, em caso de uma nova operação, com o consentimento do governo húngaro.

Bolsonaro já chamou o premiê húngaro de irmão

Bolsonaro é próximo politicamente e ideologicamente do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, político de extrema-direita. Durante seu mandato, Bolsonaro chegou a chamar Orbán de "irmão".

Após a publicação da reportagem do jornal americano, a defesa do ex-presidente admitiu a estadia de Bolsonaro entre os húngaros.

Em comunicado divulgado à imprensa, os advogados do ex-presidente afirmaram que ele "passou dois dias hospedado na embaixada da Hungria em Brasília para manter contatos com autoridades do país amigo" e que, no período, o ex-presidente "conversou com diversas autoridades húngaras atualizando os cenários políticos das duas nações".

Mais tarde, após evento no Centro de São Paulo, Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre o caso. "Por ventura, dormir na embaixada, conversar com embaixador, tem algum crime nisso?", questionou o ex-presidente.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a corporação vai apurar se, ao dormir na embaixada da Hungria, Bolsonaro desobedeceu alguma proibição imposta pelo STF no inquérito do golpe de Estado.

Perfil Brasil
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