Merz faz mudanças no governo alemão para tentar conter crise
Partido do chanceler federal aprovou indicação de novo líder da bancada no Parlamento. Antecessor renunciou após polêmica com barriga de aluguel.Em busca de governabilidade e mais diálogo dentro do próprio partido, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, aprovou nesta quarta-feira (29/07) três mudanças no gabinete ministerial.
A remodelação nos ministérios foi confirmada numa reunião a portas fechadas do partido de Merz, a União Conservadora Cristã (CDU), durante a tarde. O gatilho para as mudanças foi a renúncia do líder da bancada conservadora no Bundestag (Parlamento), Jens Spahn, após a revelação de que ele e seu marido haviam recorrido a uma barriga de aluguel nos Estados Unidos para ter um filho - a prática é ilegal na Alemanha.
Em seu lugar, os deputados conservadores elegeram Thorsten Frei, chefe de gabinete de Merz, com 92% dos votos. Considerado um aliado próximo do chanceler federal, o novo líder do partido no Parlamento será responsável por coordenar as ações com os social-democratas (SPD), aliado na coalizão governista, para impulsionar as reformas que Merz prometeu para reativar o crescimento na maior economia da Europa.
O chanceler federal aproveitou a reunião para discutir as outras mudanças, incluindo a demissão mal-sucedida de Patrick Schnieder do cargo de ministro dos Transportes.
O plano de Merz de demitir Schnieder vazou na semana passada, mas o ministro permaneceu no cargo depois que a escolha inicial para substituí-lo desistiu de assumir a vaga. A situação gerou críticas dentro da própria CDU, principalmente de diretórios no Leste da Alemanha, que se sentiram negligenciados na reformulação do gabinete.
Schnieder foi substituído por Steffen Bilger. Já o Ministério da Saúde será comandado por Carsten Linnemann, e Nina Warken foi nomeada chefe de gabinete de Merz.
A tomada de posse perante o Parlamento está prevista para setembro, após o recesso parlamentar de verão.
Promessas de "melhorar comunicação"
Em discurso também nesta quarta, Merz prometeu um novo começo e uma melhor comunicação à frente do partido - e do país. "Todos nós devemos refletir juntos sobre o que precisamos fazer melhor [...] e como podemos reconquistar a confiança daqueles que hoje não confiam em nós", disse o chanceler federal, que está no poder desde maio do ano passado.
Ele demonstrou confiança de que a reunião do partido "geraria um novo ímpeto, um novo dinamismo e um esforço renovado de todos nós para liderar bem o país, para conduzi-lo a um futuro promissor". Líder da União Social Cristã (CSU), partido-irmão da CDU na Baviera, Markus Söder admitiu que os últimos dias foram "reconhecidamente turbulentos" e que "certamente houve irritação em um momento ou outro".
A pressão sobre Merz vem se intensificando à medida em que se aproximam as eleições estaduais de setembro, na Alemanha, que elegerão novos governos em Saxônia-Anhalt, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Após um primeiro ano difícil, o bloco CDU/CSU está atrás nas pesquisas nacionais em relação à Alternativa para a Alemanha (AfD), de ultradireita, e em vários estados.
De acordo com uma pesquisa publicada pela emissora RTL na terça-feira (29/07), a popularidade do atual chanceler federal segue patinando, com apenas 15% dos entrevistados satisfeitos com o desempenho dele.
A AfD também ultrapassou, pela primeira vez, os conservadores em termos de percepção de competência e capacidade de resolver os problemas da Alemanha, apontou a pesquisa.
A AfD, particularmente forte na antiga Alemanha Oriental, região mais pobre do país, espera que os pleitos na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ajudem a abrir caminho para o sucesso nacional da sigla de ultradireita.
A AfD ganhou popularidade com um discurso anti-imigração, questão que ganhou ainda mais destaque esta semana após o atentado terrorista à Marcha do Orgulho LGBTQ+ de Berlim, no sábado (25/07). O suspeito, que foi morto a tiros pela polícia, foi descrito pelas autoridades como um cidadão alemão de origem libanesa que havia tentado se juntar ao "Estado Islâmico".
fcl/ra (Reuters, AFP, dpa, Lusa)
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