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Merz faz mudanças no governo alemão para tentar conter crise

29 jul 2026 - 17h36
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Partido do chanceler federal aprovou indicação de novo líder da bancada no Parlamento. Antecessor renunciou após polêmica com barriga de aluguel.Em busca de governabilidade e mais diálogo dentro do próprio partido, o chanceler federal da Alemanha, Friedrich Merz, aprovou nesta quarta-feira (29/07) três mudanças no gabinete ministerial.

Mudanças no gabinete ministerial foram anunciadas por Merz nesta quarta-feira
Mudanças no gabinete ministerial foram anunciadas por Merz nesta quarta-feira
Foto: DW / Deutsche Welle

A remodelação nos ministérios foi confirmada numa reunião a portas fechadas do partido de Merz, a União Conservadora Cristã (CDU), durante a tarde. O gatilho para as mudanças foi a renúncia do líder da bancada conservadora no Bundestag (Parlamento), Jens Spahn, após a revelação de que ele e seu marido haviam recorrido a uma barriga de aluguel nos Estados Unidos para ter um filho - a prática é ilegal na Alemanha.

Em seu lugar, os deputados conservadores elegeram Thorsten Frei, chefe de gabinete de Merz, com 92% dos votos. Considerado um aliado próximo do chanceler federal, o novo líder do partido no Parlamento será responsável por coordenar as ações com os social-democratas (SPD), aliado na coalizão governista, para impulsionar as reformas que Merz prometeu para reativar o crescimento na maior economia da Europa.

O chanceler federal aproveitou a reunião para discutir as outras mudanças, incluindo a demissão mal-sucedida de Patrick Schnieder do cargo de ministro dos Transportes.

O plano de Merz de demitir Schnieder vazou na semana passada, mas o ministro permaneceu no cargo depois que a escolha inicial para substituí-lo desistiu de assumir a vaga. A situação gerou críticas dentro da própria CDU, principalmente de diretórios no Leste da Alemanha, que se sentiram negligenciados na reformulação do gabinete.

Schnieder foi substituído por Steffen Bilger. Já o Ministério da Saúde será comandado por Carsten Linnemann, e Nina Warken foi nomeada chefe de gabinete de Merz.

A tomada de posse perante o Parlamento está prevista para setembro, após o recesso parlamentar de verão.

Promessas de "melhorar comunicação"

Em discurso também nesta quarta, Merz prometeu um novo começo e uma melhor comunicação à frente do partido - e do país. "Todos nós devemos refletir juntos sobre o que precisamos fazer melhor [...] e como podemos reconquistar a confiança daqueles que hoje não confiam em nós", disse o chanceler federal, que está no poder desde maio do ano passado.

Ele demonstrou confiança de que a reunião do partido "geraria um novo ímpeto, um novo dinamismo e um esforço renovado de todos nós para liderar bem o país, para conduzi-lo a um futuro promissor". Líder da União Social Cristã (CSU), partido-irmão da CDU na Baviera, Markus Söder admitiu que os últimos dias foram "reconhecidamente turbulentos" e que "certamente houve irritação em um momento ou outro".

A pressão sobre Merz vem se intensificando à medida em que se aproximam as eleições estaduais de setembro, na Alemanha, que elegerão novos governos em Saxônia-Anhalt, Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Após um primeiro ano difícil, o bloco CDU/CSU está atrás nas pesquisas nacionais em relação à Alternativa para a Alemanha (AfD), de ultradireita, e em vários estados.

De acordo com uma pesquisa publicada pela emissora RTL na terça-feira (29/07), a popularidade do atual chanceler federal segue patinando, com apenas 15% dos entrevistados satisfeitos com o desempenho dele.

A AfD também ultrapassou, pela primeira vez, os conservadores em termos de percepção de competência e capacidade de resolver os problemas da Alemanha, apontou a pesquisa.

A AfD, particularmente forte na antiga Alemanha Oriental, região mais pobre do país, espera que os pleitos na Saxônia-Anhalt e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental ajudem a abrir caminho para o sucesso nacional da sigla de ultradireita.

A AfD ganhou popularidade com um discurso anti-⁠imigração, questão que ganhou ainda mais destaque esta semana após o atentado terrorista à Marcha do Orgulho LGBTQ+ de Berlim, no sábado (25/07). O suspeito, que foi morto a tiros pela polícia, foi descrito pelas autoridades ⁠como um cidadão alemão de origem libanesa que havia tentado se juntar ao "Estado Islâmico".

fcl/ra (Reuters, AFP, dpa, Lusa)

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