Menos de 50 países confirmam presença na COP30; ONU apela para que Brasil banque parte da hospedagem
Com menos de três meses para a COP30, apenas 47 países confirmaram hospedagem em Belém. O número foi divulgado nesta sexta-feira (22) pelo governo federal, que apresentou um balanço ao lado da ONU.
A Casa Civil e a Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) informaram que a lista oficial foi apresentada logo após encontro com delegações internacionais. A reunião também tratou das críticas ao alto custo das estadias na capital paraense.
No mês passado, uma carta enviada por diversos países reforçou a pressão sobre o Brasil. O documento citava preços elevados e cobrava medidas para reduzir as despesas.
Quem deve pagar a conta?
Entre os pedidos em discussão está o aumento do subsídio oferecido pela ONU. A organização chegou a sugerir que o próprio Brasil ajudasse a custear hospedagens para países em desenvolvimento. A proposta foi recusada.
Segundo o balanço, 39 países já reservaram quartos pela plataforma oficial do governo — em sua maioria, nações em desenvolvimento. Outros oito fecharam diretamente com hotéis: Egito, Espanha, Portugal, República Democrática do Congo, Singapura, Arábia Saudita, Japão e Noruega.
Atualmente, o orçamento subsidiado pela ONU é de US$ 140, valor destinado a cobrir alimentação e hospedagem. O montante, equivalente a R$ 756, não cobre sequer a diária mais barata disponível na plataforma do evento, de US$ 350.
Em carta enviada ao Brasil, a ONU pediu que o país-sede ajudasse a custear parte das diárias. "O governo brasileiro se posicionou dizendo que já está arcando com custos significativos para a realização da COP. Por isso, não há como arcar com subsídio para delegações de outros países", disse a secretária executiva da Casa Civil, Miriam Belchior.
Ela afirmou que algumas delegações solicitaram à ONU o aumento do repasse, mas ouviram que o processo é burocrático. Segundo a secretária, o governo sugeriu que a organização internacional ampliasse a contribuição. "(...) Nós falamos claramente que o país não tem condição, mas que a ONU poderia subir um pouco a contribuição. Em qualquer cidade do mundo eles pagariam, não estamos pedindo o que pagariam em Bohn, mas o que pagariam em São Paulo e no Rio de Janeiro", declarou.
De acordo com a organização, os valores seguem em negociação. O governo reconhece que a maior parte das hospedagens é de imóveis particulares, fora da rede hoteleira tradicional, o que pressiona os preços.
As autoridades também afirmaram que medidas vêm sendo tomadas para coibir abusos. "Somos uma democracia, temos limites de intervenção no setor privado. (...) Estamos negociando no limite para que os preços possam baixar em Belém", explicou Miriam Belchior.