Maurício Silveira e a luta contra o câncer de intestino: entenda a doença
A partida precoce do ator Maurício Silveira reacende o debate sobre o câncer colorretal. Conhecida pela progressão silenciosa, a doença pode ser prevenida e tem altas chances de cura se diagnosticada a tempo
O câncer de intestino foi a causa da morte do ator Maurício Silveira. A notícia trouxe luto à classe artística e, ao mesmo tempo, acendeu um sinal de alerta para a população sobre a gravidade e a frequência desse tipo de tumor, que está entre os mais comuns no país.
O câncer de intestino, também chamado de câncer de cólon e reto ou câncer colorretal, é uma doença que se desenvolve na porção final do intestino grosso (cólon), no reto e, em alguns casos, no ânus. Na maioria das vezes, o tumor se origina a partir de pólipos — lesões benignas que podem crescer na parede do intestino. Se não identificados e removidos, esses pólipos podem se transformar em câncer ao longo do tempo.
Fatores de risco e como prevenir o câncer de intestino
Embora não haja uma causa única para a doença, a ciência já identificou fatores de risco importantes, muitos deles relacionados ao estilo de vida. A prevenção, portanto, passa por mudanças de hábitos:
- Dieta e estilo de vida: O consumo excessivo de carnes processadas (salsicha, presunto, bacon), carnes vermelhas e gorduras, aliado a uma dieta pobre em fibras (frutas, verduras e cereais integrais) e ao sedentarismo, é um fator de risco significativo. Manter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios físicos regularmente são medidas preventivas essenciais.
- Álcool e tabagismo: O consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo são outros hábitos que aumentam a predisposição à doença.
- Histórico familiar: Pessoas com histórico familiar de câncer de intestino ou síndromes genéticas específicas (como a polipose adenomatosa familiar e o câncer colorretal hereditário não polipose) têm um risco maior e devem iniciar o rastreamento mais cedo, sob orientação médica.
- Idade: A incidência do câncer colorretal aumenta consideravelmente após os 50 anos.
Sintomas e a importância da observação
A detecção precoce é a chave para o sucesso do tratamento. No entanto, o câncer de intestino pode ser silencioso em suas fases iniciais. Por isso, é fundamental estar atento a sintomas que, mesmo parecendo inofensivos, podem ser indicativos da doença:
- Sangue nas fezes: Visível ou oculto, é o sintoma mais comum.
- Mudança no hábito intestinal: Diarreia ou constipação sem causa aparente que se prolonga.
- Dor ou desconforto abdominal: Principalmente na região inferior da barriga.
- Emagrecimento sem causa aparente: Perda de peso repentina.
- Anemia: Fadiga e fraqueza decorrentes da perda crônica de sangue nas fezes.
Exames essenciais para o diagnóstico precoce
O rastreamento é a melhor forma de prevenir a doença e garantir o diagnóstico precoce. Os exames mais importantes são:
- Pesquisa de sangue oculto nas fezes: É um exame simples e não invasivo, recomendado para pessoas a partir dos 50 anos. A presença de sangue pode ser um sinal de pólipos ou de um câncer em fase inicial.
- Colonoscopia: Considerado o padrão-ouro para o diagnóstico. É um exame mais detalhado que permite ao médico visualizar todo o intestino grosso, identificar e, se necessário, remover pólipos antes que se tornem malignos. A colonoscopia é recomendada para a população geral a partir dos 50 anos (ou mais cedo para quem tem histórico familiar) e é o exame mais eficaz para a prevenção, pois permite a retirada das lesões pré-malignas.
A conscientização sobre o câncer de intestino, aliada à adoção de um estilo de vida saudável e à realização dos exames preventivos, pode salvar vidas e garantir um futuro mais seguro e saudável para todos.