Mais de 70% dos argentinos desaprovam ataques de Milei contra Lula
Levantamento da Zuban Córdoba aponta que 70,5% dos argentinos desaprovam os ataques do presidente argentino contra o brasileiro. Relação com o Brasil é considerada importante por 88,9%
Os ataques do presidente argentino, Javier Milei, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encontram respaldo na maior parte da população da Argentina. É o que mostra uma pesquisa da consultoria Zuban Córdoba. O levantamento aponta que 70,5% dos entrevistados desaprovam a postura do líder argentino em relação ao brasileiro. O resultado foi divulgado em meio à crise diplomática entre os dois países.
A pesquisa ouviu 1.200 argentinos com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 10 de agosto, por meio de entrevistas on-line. A margem de erro é de 2,83 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Do total de entrevistados, 20% afirmaram aprovar os ataques de Milei a Lula, enquanto 9,5% não souberam ou não quiseram responder.
Relação com o Brasil é considerada importante
O levantamento também perguntou aos argentinos sobre a importância do Brasil e de sua economia para a Argentina. Nesse ponto, o resultado foi ainda mais expressivo: 88,9% consideram essa relação importante.
Outros 10,5% disseram considerar a relação pouco ou nada importante, enquanto 0,6% não souberam responder. O resultado reforça que a relação com o Brasil é vista como relevante por uma parcela ampla dos argentinos, mesmo em meio às divergências políticas entre os governos de Milei e Lula.
Os ataques de Milei a Lula
A crise entre os dois governos se intensificou depois de declarações feitas por Javier Milei durante sua passagem pelo Brasil. Em um evento político realizado em São Paulo, o presidente argentino fez críticas a Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Posteriormente, Milei voltou a mencionar o presidente brasileiro em entrevistas e declarações públicas.
A escalada das declarações provocou reação do governo brasileiro e aumentou a tensão diplomática entre Brasília e Buenos Aires. O episódio também ganhou repercussão na Argentina. Além da pesquisa da Zuban Córdoba, outros levantamentos divulgados no período apontaram rejeição significativa à confrontação entre os dois governos.
"Si en Argentina tenemos el 'riesgo kuka', en Brasil tienen el 'riesgo Lula'"
Javier Milei aseguró que el presidente de Brasil "volvió al poder radicalizado" y respaldó a Flávio Bolsonaro: "Está dispuesto a hacerle frente y convertirse en la voz de la mayoría silenciosa". pic.twitter.com/Wep553SY2k
— Corta (@somoscorta) July 25, 2026
A troca de críticas entre Milei e Lula levou o governo brasileiro a adotar medidas diplomáticas. O Itamaraty convocou representantes argentinos para prestar esclarecimentos e também chamou o embaixador brasileiro em Buenos Aires para consultas.
A crise ocorre em um momento de relações políticas particularmente tensas entre os dois governos. Enquanto Milei mantém uma postura de forte oposição ao campo político associado a Lula, o presidente brasileiro tem evitado transformar a relação entre os dois países em um confronto permanente.
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