Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

Mais de 500 trabalhadores são resgatados de trabalho escravo em obra no MT

7 ago 2025 - 10h00
Compartilhar
Exibir comentários

Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) revelou um cenário de graves violações de direitos em um canteiro de obras no interior de Mato Grosso. Ao menos 563 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão na construção de uma usina de etanol em Porto Alegre do Norte (MT), administrada pela TAO Construtora.

Operação teve início após trabalhadores atearem fogo em protesto contra condições degradantes
Operação teve início após trabalhadores atearem fogo em protesto contra condições degradantes
Foto: MTE / Perfil Brasil

A fiscalização teve início em 20 de julho e identificou um quadro de abandono estrutural e descaso. Os trabalhadores, oriundos das regiões Norte e Nordeste, estavam alojados em instalações precárias e atuavam em ambiente insalubre, sob calor intenso e sem acesso adequado a água potável ou energia elétrica.

O que motivou o incêndio nos alojamentos?

Relatos colhidos durante a operação indicam que parte dos trabalhadores teria provocado um incêndio como forma de protesto contra a constante falta de água e energia. O fogo destruiu alojamentos masculinos e femininos, além de parte da panificadora e da guarita. A crise no abastecimento agravou-se nos dias que antecederam o incidente, quando os poços artesianos deixaram de funcionar.

A situação nos dormitórios chamava atenção: espaços de apenas 12 metros quadrados abrigavam até quatro pessoas, sem ventilação nem climatização. Segundo o MPT, os operários recebiam apenas um lençol fino para cobrir colchões velhos. Não havia travesseiros, fronhas ou roupas de cama adequadas, e a superlotação obrigava alguns a dormirem no chão, sob mesas ou ao lado de banheiros.

Após o incêndio, parte dos trabalhadores foi transferida para casas e hotéis da região, distantes cerca de 30 quilômetros do canteiro. Ainda assim, muitos continuaram em situação degradante, dormindo no chão e sem condições básicas de conforto ou higiene. Um grupo chegou a ser levado para um ginásio esportivo em município vizinho.

Caminhões-pipa passaram a buscar água no Rio Tapirapé, mas o líquido era turvo e impróprio para o consumo. Os trabalhadores relataram que precisavam se banhar com canecas e enfrentavam longas filas para usar banheiros sujos.

Além da negligência com a infraestrutura, a força-tarefa encontrou irregularidades graves nas frentes de trabalho. Operários atuavam sem equipamentos de proteção adequados, expostos a poeira excessiva, sem ventilação e em refeitórios impróprios. Foram registrados casos de acidentes e doenças de pele, sem qualquer comunicação oficial à Previdência.

De acordo com o MTE, a empresa não emitiu as Comunicações de Acidente de Trabalho (CATs), prejudicando o acesso dos trabalhadores feridos a benefícios e ao acompanhamento médico.

Perfil Brasil
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade