Mais de 32 mil empresas fecham no governo Javier Milei na Argentina
Dados oficiais da Superintendência de Riscos do Trabalho mostram 18 meses consecutivos de retração nos empregadores cadastrados no país vizinho
A Argentina perdeu 32.290 empresas ativas desde o início do governo de Javier Milei, acumulando 18 meses de queda e uma retração de 6,3% nos registros formais. O fechamento reflete a severa política de corte de gastos para conter a inflação, combinada com juros altos, tarifas públicas elevadas e endividamento familiar, que derrubaram o consumo. O cenário enfraqueceu o comércio e a indústria local, que ainda enfrentam custos operacionais altos e a concorrência com o avanço de produtos importados.
A Argentina acumula uma redução de 32.290 empresas cadastradas desde o início do governo Javier Milei, no final de 2023, refletindo um cenário de forte pressão econômica e restrições financeiras. As informações divulgadas neste sábado pela Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT) mostram que o total de empregadores ativos no sistema oficial despencou de 512.357 em novembro de 2023 para 480.067 em julho deste ano, o que representa uma retração de 6,3%.
Embora a oscilação reflita a saída de registros — o que pode incluir desde o encerramento definitivo das atividades até a perda de funcionários com carteira assinada ou mudanças cadastrais —, a sequência estatística completou 18 meses consecutivos de baixa no país.
Una mujer fue a Luján a pedir perdón por haber votado a Milei. Dijo que su mamá se fundió con su negocio y le pidió disculpas a todos los argentinos, especialmente a los pobres, a los médicos, a los docentes y a los discapacitados. Terminó diciendo: "yo milité para esta crueldad, no sabía que iba a ser así".
Increíble.
— Martín Dandach (@MartinDandach) October 4, 2026
Impacto na economia e desafios para o governo Javier Milei
A queda contínua na quantidade de empregadores formais acontece em meio a um quadro de consumo enfraquecido, despesas operacionais elevadas e maior abertura para produtos estrangeiros, conforme apontam análises de entidades empresariais e do Centro de Economia Política Argentina (CEPA). De acordo com a Confederação Argentina da Média Empresa (CAME), o encarecimento das contas de serviços públicos e o endividamento das famílias reduziram drasticamente o poder de compra da população, que passou a focar apenas em despesas essenciais. Paralelamente, a União Industrial Argentina (UIA) alerta que o peso dos impostos, as tarifas de energia e as taxas de juros dificultam a sobrevivência das pequenas e médias indústrias, comprometendo margens de lucro em um momento de vendas reduzidas.
Concorrência externa e ajuste fiscal
Outro elemento de pressão sobre o setor produtivo local é a facilidade maior para a entrada de mercadorias do exterior após a diminuição das barreiras comerciais. Dados do CEPA indicam que a importação de bens de consumo cresceu 34,7% no primeiro semestre de 2026 frente ao mesmo período de 2023, enquanto a produção industrial doméstica caiu 12% no mesmo intervalo. Essa dinâmica faz parte dos efeitos colaterais da política de rigoroso corte de gastos públicos implementada pelo presidente Javier Milei para conter a inflação, gerando resultados desiguais entre os setores da economia argentina, com retração nos ramos comercial e industrial e avanço em áreas como a mineração.
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