Lula falou por telefone com Delcy Rodríguez após prisão de Maduro
De acordo com dados fornecidos pelo Palácio do Planalto, a conversa teve curta duração
O Palácio do Planalto informou nesta segunda-feira (05), que no último sábado (3), o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, estabeleceu comunicação direta com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. O contato, realizado por via telefônica no período da manhã, teve como objetivo principal a verificação das informações sobre a operação militar dos Estados Unidos e a subsequente captura de Nicolás Maduro, de acordo com o g1.
De acordo com dados fornecidos pelo Palácio do Planalto, a conversa teve curta duração. Segundo o g1, governo brasileiro utilizou o canal diplomático para obter uma confirmação interna dos fatos que vinham sendo divulgados pela administração norte-americana.
Durante a chamada, Delcy Rodríguez ratificou que Maduro havia sido detido pelas forças dos EUA. Naquele momento, no entanto, as autoridades em Caracas ainda não possuíam dados precisos sobre a localização exata para onde o ex-dirigente havia sido levado.
Foi somente após esse diálogo e a confirmação dos fatos pela liderança venezuelana que o governo brasileiro oficializou sua nota de repúdio à ação militar. O Brasil fundamentou sua crítica na defesa da soberania nacional e no cumprimento dos protocolos estabelecidos pela Carta das Nações Unidas, que proíbem o uso da força contra a independência política de outros Estados.
Contexto das relações Brasil-Venezuela
A iniciativa de Lula ocorre em um cenário de relações diplomáticas fragilizadas. Desde as eleições de julho de 2024, o Brasil vinha adotando uma postura crítica em relação ao governo de Maduro, chegando a solicitar a abertura das atas eleitorais e a se opor à entrada do país vizinho no bloco Brics.
Apesar desse histórico de tensões, o contato com Rodríguez e o posterior discurso do embaixador Sérgio Danese no Conselho de Segurança da ONU reafirmam a posição brasileira de priorizar a estabilidade regional e o multilateralismo, independentemente das divergências ideológicas com o governo deposto.