Lula e Trump conversam por telefone e debatem tarifaço dos Estados Unidos
Líder brasileiro classificou alegações para a sobretaxa como infundadas e abordou temas de segurança pública e conflitos mundiais
Em telefonema, Lula e Donald Trump discutiram as novas tarifas dos EUA sobre exportações brasileiras. Lula contestou as taxas, citou a Lei de Reciprocidade e ambos concordaram em abrir negociações bilaterais. A conversa também tratou da cooperação em segurança pública, na qual o líder brasileiro rejeitou classificar facções locais como terroristas, e da busca por soluções diplomáticas para os conflitos na Ucrânia e no Oriente Médio.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve uma conversa telefônica de um hora e vinte minutos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A iniciativa partiu do Palácio do Planalto para discutir as recentes barreiras comerciais aplicadas ao mercado brasileiro. O governo brasileiro classificou como infundadas as razões apresentadas por Washington, que incluem questionamentos sobre desmatamento, propriedade intelectual e o sistema Pix. Durante o diálogo, o chefe de Estado defendeu o diálogo diplomático contínuo para mitigar os impactos das alíquotas de 25% e 12,5% que incidem sobre exportações nacionais.
Lula contesta tarifaço
As medidas restritivas atingem cerca de 15% das vendas brasileiras destinadas aos americanos, afetando diretamente setores como madeira, móveis, máquinas e açúcar. Diante do quadro, a diplomacia do Brasil notificou formalmente a intenção de aplicar a Lei da Reciprocidade para equilibrar a relação comercial. O chefe do Executivo norte-americano concordou em indicar equipes de alto escalão para reabrir os canais de negociação.
Diálogo abordou cooperação em segurança pública e crime organizado
A pauta do telefonema também envolveu ações conjuntas contra o crime organizado na América Latina. Dessa forma, o mandatário brasileiro rejeitou o enquadramento de facções criminosas como entidades terroristas, argumentando que o país dispõe de legislação própria para combater essas estruturas. A posição oficial buscou ponderar a decisão recente das autoridades americanas de classificar grupos que atuam no território nacional sob essa rotulagem. Como alternativa, o governo apresentou os avanços do projeto de lei Antifacção e as diretrizes da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
Pauta internacional incluiu cenários de conflito na Ucrânia e no Oriente Médio
Em suma, a agenda internacional encerrou o contato entre os representantes diplomáticos. Os dois líderes concordaram quanto à urgência de saídas negociadas para o confronto travado entre Rússia e Ucrânia. Além disso, o representante brasileiro reiterou a defesa do diálogo multilateral e propôs a convocação do Conselho de Segurança da ONU para mediar acordos de paz. Por fim, a troca de mensagens reforça o histórico de idas e vindas na relação entre as duas nações, caracterizado por momentos de aproximação estratégica e divergências pontuais no campo comercial.
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