Lula defende quebra total do sigilo do Caso Master: 'Brasil precisa saber a verdade'
Presidente ainda citou "crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário" e criticou "vazamentos seletivos" em meio à disputa eleitoral
O presidente Lula defendeu a quebra total do sigilo das investigações do caso Banco Master, classificado por ele como o maior crime financeiro da história do país, para evitar vazamentos seletivos durante o período eleitoral. A declaração surge em meio a uma forte crise institucional no STF, marcada por atritos entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, disputas sobre o afastamento da cúpula da PF e a abertura de apurações internas pelo presidente da Corte, Edson Fachin.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quarta-feira (9), a quebra completa do sigilo das investigações sobre o caso Master. De acordo com o chefe do Executivo, "mais transparência" sobre o processo se torna urgente em meio à disputa eleitoral.
Entenda as afirmações de Lula
Lula, que concorre ao quarto mandato, fez o pronunciamento em seu perfil no X. Na publicação, o presidente classificou o suposto esquema envolvendo o antigo Banco Master como "o maior crime financeiro da história do Brasil". Em seguida, mencionou a crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
"O povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário", afirmou.
Além disso, ao cobrar esclarecimentos envolvendo as recentes decisões dos ministros Edson Fachin, André Mendonça e Alexandre de Moraes, Lula rejeitou "vazamentos seletivos que impactam a disputa eleitoral".
"A divulgação da verdade, como aconteceu na Operação Spoofing, conduzida pelo então ministro Lewandowski, é um exemplo a ser seguido. Por isso, é urgente a quebra completa do sigilo das investigações de todos os envolvidos no caso Master, seja quem for, doa a quem doer. O Brasil precisa saber a verdade", concluiu.
Diante da gravidade do maior crime financeiro da história do Brasil, o povo brasileiro precisa de explicações e medidas imediatas para enfrentar a crise institucional que tomou conta do Poder Judiciário.
Se faz necessário mais transparência e não vazamentos seletivos que…
— Lula (@LulaOficial) September 9, 2026
Crise no STF
A manifestação de Lula ocorre em meio a uma disputa entre integrantes do Supremo que ganhou novos capítulos nos últimos dias. O embate envolve principalmente os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça e alcançou a cúpula da Polícia Federal (PF).
Na terça-feira (8), Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A decisão envolveu relatórios de inteligência que mencionavam o próprio ministro e que, segundo ele, indicariam um monitoramento irregular.
O afastamento aconteceu dias após Moraes pedir que Mendonça fosse investigado por suposto abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. Pouco antes, com a retirada do sigilo por determinação de Mendonça, houve a divulgação de informações extraídas do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, que levantaram questionamentos sobre a relação dele com integrantes da Corte.
Nesta quarta-feira (9), contudo, Flávio Dino determinou a reintegração dos dois delegados. O ministro questionou a legitimidade do Partido Novo para solicitar medidas cautelares penais contra os policiais e argumentou que o afastamento poderia prejudicar investigações em andamento.
Diante da escalada das divergências, o presidente do STF, Edson Fachin, abriu um procedimento para analisar as controvérsias envolvendo os relatórios da PF e solicitou esclarecimentos aos envolvidos. A preocupação com o momento vivido pelo Supremo também chegou a Fachin por meio de uma carta assinada por 13 ministros aposentados do Poder Judiciário.
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