Júri absolve irmãos de homem condenado por matar e esquartejar mulher em Porto Alegre
Irmãos eram acusados de ajudar a ocultar o corpo e de participar do roubo de objetos da vítima.
Jean e Alan Centeno do Carmo foram absolvidos pelo Tribunal do Júri, na madrugada desta quarta-feira (12), da acusação de envolvimento na morte de Cíntia Beatriz Lacerda Glufke, em Porto Alegre. Os dois respondiam por homicídio e ocultação de cadáver e eram suspeitos de auxiliar na ocultação do corpo e de subtrair o celular e equipamentos eletrônicos da vítima.
Os irmãos são parentes de Vandré Centeno do Carmo, condenado a 19 anos de prisão pelo assassinato em setembro de 2025. O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) informou que pretende recorrer da decisão que absolveu Jean e Alan. O principal responsável pelo crime, segundo a acusação, já cumpre pena.
Durante o julgamento, a Defensoria Pública sustentou a tese de inexigibilidade de conduta diversa. O argumento é utilizado quando, diante das circunstâncias de determinado caso, não seria razoável exigir que o acusado tivesse adotado outra conduta.
O julgamento dos irmãos havia sido adiado em três oportunidades. Em setembro, houve adiamento por causa da cisão processual. Em dezembro, a sessão foi suspensa após uma falta de energia elétrica no Foro. Já em março, houve um novo reagendamento.
Cíntia foi assassinada em 7 de agosto de 2015. Conforme a denúncia, ela foi atraída até a residência de um dos acusados, no bairro Jardim Carvalho, com a justificativa de participar de um almoço. Após uma discussão, a mulher foi atingida por golpes de marreta e morreu. Depois, o corpo foi esquartejado com o uso de uma serra elétrica.
O tronco e a cabeça foram envolvidos em um lençol, enterrados e cimentados no bairro Rubem Berta. Já os braços, mãos, pernas e pés foram colocados dentro de uma mala.
Ainda no dia do assassinato, por volta das 19h30min, câmeras da Rodoviária de Porto Alegre registraram Vandré embarcando para São Joaquim, em Santa Catarina, carregando a bagagem. Na madrugada do dia seguinte, ele teria deixado a mala em um terreno baldio localizado a cerca de 200 metros da rodoviária da cidade catarinense. A bagagem foi encontrada posteriormente por um catador de materiais recicláveis.
Cíntia tinha 34 anos, era natural de Uberaba, em Minas Gerais, e morava em Porto Alegre. Ela era casada havia 12 anos com o programador Thomas Glufke, com quem havia se conhecido por meio de uma rede social ligada à Igreja Mórmon. O casal enfrentava uma crise conjugal nos meses anteriores ao crime. Na data do assassinato, Thomas estava nos Estados Unidos a trabalho.
A vítima mantinha uma relação de amizade com Vandré, com quem havia trabalhado em um hotel de Porto Alegre. Os dois também frequentaram juntos um curso de comissário de bordo. Na época, Cíntia estava desempregada. Vandré chegou inclusive a viajar até Uberaba para conhecer familiares dela.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.