Inteligência russa atuou no ataque em Leipzig, diz jornal
Autoridades alemãs vincularam a inteligência militar russa a um ataque frustrado com drones no aeroporto de Leipzig/Halle, ocorrido em agosto contra ajuda militar à Ucrânia. Segundo relatórios confidenciais, um cidadão russo com laços com Moscou coordenou a logística com explosivos contrabandeados e fugiu do país com apoio de um cúmplice bielorrusso. O caso agravou a crise diplomática, resultando no fechamento de consulados e na suspensão das atividades do Instituto Goethe na Rússia.
Suspeito de responsabilidade pela logística da operação frustrada teria entrado pela Turquia e voltado para a Rússia, segundo Welt am Sonntag.O recente ataque fracassado com drones carregados de explosivos contra o aeroporto de Leizig/Halle foram vinculados, por autoridades da Alemanha, diretamente ao serviço de inteligência militar da Rússia, segundo o jornal Welt am Sonntag (WaS).
Em artigo publicado neste sábado (12/09), o WaS cita um relatório de inteligência a que teve acesso, segundo o qual um homem com laços conhecidos com a inteligência militar russa era responsável pela logística operacional do ataque frustrado.
Estes vínculos seriam conhecidos pelas autoridades alemãs quando o homem entrou no país vindo da Turquia, segundo reportou o jornal. Ainda assim, ele não foi colocado sob vigilância após sua chegada.
Avaliações de segurança confidenciais citadas pelo WaS afirmam que o cidadão russo está agora em seu país de origem, depois de ter partido para a Sérvia pelo aeroporto de Berlim. Um segundo homem, cidadão de Belarus, também foi apontado no relatório como cúmplice.
Explosivos da Bulgária e da Sérvia
Fontes da inteligência alemã disseram que os explosivos usados no incidente provavelmente foram contrabandeados para a Alemanha em um caminhão vindo da Bulgária e da Sérvia e, depois de chegarem a Leipzig, armazenados em depósitos subterrâneos.
Desde o início, o governo deixou claro que as provas forenses encontradas no Aeroporto de Leipzig/Halle — incluindo a configuração do drone, os explosivos e os mecanismos de acionamento usados em outros ataques híbridos russos — apontavam para uma ação planejada pela Rússia.
No início de agosto, o tabloide alemão Bild reportou que as autoridades haviam encontrado vestígios de DNA na antena do controle remoto do drone. Segundo a reportagem, essas amostras correspondiam ao material genético encontrado no local de outro ataque, este em julho de 2024, numa instalação logística em Leipzig operada pela empresa alemã de entregas DHL.
Tensões com a Rússia
O incidente no Aeroporto de Leipzig/Halle, centro de distribuição de ajuda militar destinada à Ucrânia, ocorreu em 4 de agosto. Um drone carregado de explosivos foi encontrado perto de um avião de transporte ucraniano.
As autoridades conseguiram desarmar o drone e, depois de especulações públicas de que Moscou estaria por trás do incidente, o governo alemão acusou oficialmente a Rússia no início de setembro. O artigo do WaS publicado no sábado afirmou que Berlim fez essa atribuição de responsabilidade com base nos relatórios de inteligência citados.
Em seguida, o governo já teria identificado dois russos, supostos "agentes de baixo escalão" do Kremlin, como envolvidos no ataque frustrado, também segundo a imprensa alemã.
A Alemanha, então, anunciou ofechamento do consulado da Rússia em Bonn. Negando envolvimento no ataque, o Kremlin, por sua vez, reagiu fechando os Institutos Goethe — uma instituição alemã de intercâmbio cultural — em toda a Rússia, bem como o consulado alemão em São Petersburgo.
ht (DW, AFP, Reuters)
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