Hamas anuncia saída do governo de Gaza após quase 2 décadas no poder
A saída do grupo abre espaço para que uma junta tecnocrática palestina assuma a administração civil da região
O grupo Hamas anunciou uma mudança drástica na estrutura política da Faixa de Gaza nesta segunda-feira. A organização terrorista confirmou a dissolução do órgão que governava o território palestino por quase 20 anos. Essa decisão abre caminho para que um comitê tecnocrático de caráter civil implemente uma nova governança na região afetada pelo conflito. O chefe do governo anterior ligado ao grupo, Mohammed al-Farra, renunciou ao cargo logo no início da manhã. A informação foi confirmada por Ismail Thawabta, que atua como diretor-geral do escritório de mídia administrado pela organização em Gaza, durante uma entrevista coletiva com jornalistas.
A Faixa de Gaza era administrada pelo grupo desde o ano de 2007, quando a organização assumiu o controle total depois de registrar intensos confrontos armados contra o Fatah, que é o partido liderado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, sediado na cidade de Ramallah, na Cisjordânia ocupada. Conforme as explicações trazidas por Ismail Thawabta, apenas os funcionários técnicos de segundo escalão devem permanecer em seus postos de trabalho para evitar que ocorra um vácuo administrativo completo na região.
Mudança política tenta agilizar a reconstrução do território palestino
A medida drástica foi tomada "para aliviar o sofrimento resultante da guerra em curso, o atraso na reconstrução, o cerco contínuo, o fechamento das passagens de fronteira e a recusa do Exército israelense em se retirar", disse ele. Diante desse cenário complexo, Ismail Thawabta também aproveitou a oportunidade para pedir publicamente que todas as partes envolvidas no processo internacional agilizem os trâmites burocráticos e políticos. O objetivo principal é fazer com que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza assuma as suas funções administrativas de forma definitiva o quanto antes.
Em uma manifestação feita em um comunicado separado, o porta-voz da organização, Hazem Qassem, explicou que a iniciativa política visa eliminar qualquer tipo de pretexto para a interferência direta de Israel na região. Ele também aproveitou o momento para reafirmar o compromisso formal do grupo em transferir todas as responsabilidades institucionais de governança na Faixa de Gaza para a nova junta administrativa. Em meados de junho, diversas facções palestinas se reuniram formalmente com mediadores internacionais na cidade do Cairo para apresentar uma proposta consolidada para a segunda fase do acordo de cessar-fogo regional.
Conselho de paz dos Estados Unidos exige desarmamento total do grupo
O roteiro de transição foi detalhado pelo Conselho de Paz que é liderado diretamente pelo governo dos Estados Unidos. Esse plano inclui mecanismos complexos para desenhar o futuro da Faixa de Gaza, englobando projetos de reconstrução estrutural, desarmamento de milícias, a retirada completa das tropas israelenses e a futura implantação de uma força internacional focada na manutenção da paz. Também nesta segunda-feira, cinco palestinos foram mortos e pelo menos 18 pessoas ficaram feridas em virtude de ataques israelenses distintos que atingiram civis deslocados e áreas residenciais localizadas no sul do território e também na Cidade de Gaza. Os dados foram compilados e divulgados por Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil local.
Os novos ataques aconteceram mesmo com a vigência de um acordo de cessar-fogo que entrou formalmente em vigor no dia 10 de outubro de 2025. Tanto o Hamas quanto o governo de Israel continuam trocando acusações mútuas sobre supostas violações graves da trégua assinada. Autoridades de saúde baseadas na região informaram que o número de mortos desde o início do cessar-fogo atingiu a marca de 1.072 cidadãos, além de registrar 3.463 feridos. No total geral, o número de mortos na região desde o começo do conflito, em outubro de 2023, já soma 73.098 pessoas, com o registro de 173.571 feridos.
O Conselho de Paz do presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou publicamente que o comitê encarregado de governar a região deve exercer o controle rigoroso sobre todas as armas em circulação. "O princípio fundamental continua sendo uma única autoridade, uma única lei e uma única arma. Isso significa a consolidação de todas as armas sob o controle do NCAG (Comitê Nacional para a Administração de Gaza)", afirmou o conselho em um comunicado oficial divulgado na rede social X. Essa nova organização administrativa, que atualmente mantém a sua sede provisória na cidade do Cairo, foi criada pelo próprio Conselho de Paz instituído por Donald Trump durante o período de negociações.
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