Haddad diz que EUA estão dispostos a dialogar sobre tarifaço, mas governo prepara plano de proteção
O governo brasileiro enxerga brechas para negociar com os Estados Unidos antes da entrada em vigor do tarifaço anunciado por Donald Trump, prevista para esta sexta-feira (1º). Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, há "sinais de interesse em conversar" por parte de autoridades norte-americanas, o que abre uma possibilidade para que a sobretaxa de 50% às exportações brasileiras não se concretize ou seja revertida.
"O Brasil nunca abandonou mesa de negociação. Eu acredito que, nesta semana, já há algum sinal de interesse em conversar. E há uma maior sensibilidade de algumas autoridades dos Estados Unidos de que, talvez, tenha se passado um pouquinho e, que, queiram conversar. Alguns empresários estão fazendo chegar ao nosso conhecimento de que estão encontrando maior abertura lá", disse Haddad a jornalistas, em Brasília.
Ao mesmo tempo em que aposta na diplomacia, o Ministério da Fazenda trabalha com a possibilidade de o tarifaço ser mantido. Para isso, prepara um plano de resposta com foco na manutenção de empregos e na proteção de empresas brasileiras atingidas pela medida.
Como o Brasil pode reagir à sobretaxa imposta pelos EUA?
Haddad afirmou que o governo tem alternativas estudadas para enfrentar o impacto da medida. Uma delas é semelhante ao programa criado durante a pandemia da Covid-19, quando o Executivo passou a arcar com parte dos salários dos trabalhadores da iniciativa privada. Em troca, as empresas deveriam manter os postos de trabalho.
"Dentre os vários cenários, há lei que estabelece esse tipo de... [programa]. Mas não sei qual o cenário que o presidente vai optar, por isso que eu não posso adiantar as medidas que vão ser adotadas por ele. Como são vários cenários, todo tipo de medida cabe em algum deles. Mas quem vai decidir a escala, o montante, a oportunidade, a conveniência e a data é o presidente [Lula]", explicou o ministro.
A imposição da tarifa foi anunciada formalmente em 9 de julho, em carta assinada por Trump e enviada ao presidente brasileiro. O ex-presidente dos EUA justificou a decisão com argumentos comerciais e políticos. No último dia 23, voltou a falar sobre o tema e declarou que as tarifas foram aplicadas a países com os quais a relação "não tem sido boa".
Embora o Brasil não tenha sido citado diretamente, autoridades do governo brasileiro interpretaram a medida como voltada ao País. Neste domingo (27), o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, confirmou a data de início da sobretaxa: 1º de agosto, "sem prorrogações".