Governo da Alemanha vê "alto risco" de atentados
Ministro do Interior reclassificou cenário de ameaças ao país de "abstrato" para "elevado". "A Alemanha deve contar com o risco de atentados a qualquer momento", disse Dobrindt.O risco de atentados aumentou na Alemanha, afirmou o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, em entrevista publicada neste domingo (18/07) no jornal Welt am Sonntag.
"O aumento no volume de denúncias e informações de inteligência me levou a reclassificar a ameaça anteriormente descrita como abstrata para elevada", declarou Dobrindt. "Isso significa que a Alemanha deve contar com o risco de atentados a qualquer momento."
A conclusão, segundo ele, é fruto não só de informações do próprio governo como também de nações aliadas, além da observação de um número de danos concretos e de espiões atuando dentro e fora do país.
Dobrindt, membro da União Social Cristã (CSU) — partido bávaro irmão da União Democrata Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz — disse que planos de ataque identificáveis tinham como alvo não apenas a infraestrutura alemã, mas também indivíduos e instituições.
A Alemanha registrou vários ataques nos últimos anos.
Em um dos casos mais marcantes, um médico saudita foi condenado à prisão perpétua em junho por matar seis pessoas e ferir centenas ao lançar um carro alugado contra uma multidão em um mercado histórico na cidade de Magdeburg, no leste do país, poucos dias antes do Natal de 2024.
No ano passado, um cidadão sírio também foi condenado à prisão perpétua por um ataque a faca inspirado pelo Estado Islâmico durante um festival na cidade de Solingen, no oeste da Alemanha, em 2024. Três pessoas morreram e outras dez ficaram feridas.
Alemanha planeja reforma das leis de inteligência
O governo deve analisar uma ampla reforma das leis de inteligência da Alemanha em 13 de agosto.
As mudanças permitiriam que as agências de inteligência intervenham diretamente em determinadas situações perigosas, em vez de se limitarem à coleta e à análise de informações.
"Meu objetivo é transformar os serviços de inteligência em verdadeiros serviços secretos, para que continuemos competitivos e capazes de atuar como parceiros de serviços aliados no exterior", disse Dobrindt.
Em um cenário agudo de terrorismo, a ampliação dos poderes poderia permitir que agentes da inteligência doméstica entrassem e revistassem residências quando a polícia não conseguisse chegar a tempo.
O ministro ressaltou que a separação entre as agências de inteligência e a polícia permanecerá em vigor.
"Prender pessoas continua sendo responsabilidade da polícia", afirmou Dobrindt.
ra (dpa, Reuters, DW)
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