Frigorífico O Cortês amplia operações e busca nova captação
Empresa projeta faturamento mensal de R$ 25 milhões até 2027 e busca aporte para dobrar capacidade produtiva
Cinco meses após dar início à produção, o frigorífico O Cortês já enfrenta um problema que a maioria das startups gostaria de ter: não consegue atender a todos os pedidos. Com operação iniciada em 30 de outubro do ano passado e fornecimento ativo para o segmento de food service em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro — incluindo restaurantes e hotéis —, a empresa chegou a um ponto em que passou a selecionar quais clientes consegue atender.
O crescimento da demanda levou O Cortês a contratar um segundo caminhão de logística e a planejar um terceiro para os próximos 60 dias. A expansão operacional, aliada à ambição de escalar o negócio com responsabilidade ambiental, explica também por que o investimento total já ultrapassou em muito as projeções iniciais. Se antes a previsão era de R$ 25 milhões para o início das atividades no turno diurno, esse número chegou a R$ 42 milhões. "O investimento original previa o início da operação de um turno diurno, e agora a gente já está cuidando de investimentos para a inauguração inclusive de um turno noturno, ou seja, para dobrar a capacidade operativa", explica Rodrigo Torres, CEO da empresa.
A expansão inclui mais máquinas, mais equipamentos e, de forma pouco comum no setor, mais florestas. A empresa tem metas de neutralidade de carbono e está ampliando o plantio de eucalipto para compensar as emissões decorrentes da ampliação produtiva. Além disso, já investe em autossuficiência energética com a implantação de uma usina a biogás — abastecida pelo tratamento de efluentes do próprio frigorífico — e uma usina fotovoltaica. "A gente quer ser carbono neutro, então a gente precisa de mais florestas", diz o CEO.
Parte do salto nos investimentos tem explicação financeira objetiva: a empresa constituiu um CDB garantidor junto ao BDMG para viabilizar um financiamento em inovação. "A gente teve que aportar lá quase R$ 9,5 milhões para garantir o investimento em inovação", detalha Torres. O movimento mostra uma empresa que, mesmo em fase de crescimento acelerado, buscou parceiros institucionais para estruturar sua expansão.
Com a operação rodando e a demanda já comprovada, O Cortês abre agora uma rodada de captação de R$ 5 milhões. O recurso tem destino tripartite: ampliar a capacidade produtiva com novos maquinários, cobrir o caixa até agosto — quando a empresa projeta atingir o ponto de equilíbrio — e investir em marketing. A empresa busca por equity, mútuos conversíveis ou dívidas estruturadas de forma que possa acelerar o crescimento nesse momento. Faturamento mira atingir R$ 25 milhões mensais até o fim de 2027, com uma margem bruta acima dos 30%.
No horizonte imediato, O Cortês tem dois marcos importantes no calendário: para agosto, a chegada ao mercado das linhas de produtos em embalagens cartonadas voltadas a redes de supermercados premium; e, para dezembro, o lançamento de alguns dos enlatados desenvolvidos em parceria com grandes chefs dos melhores restaurantes do Brasil.
Website: https://ocortes.com/
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