Filho do último xá do Irã convoca greve geral
Reza Pahlavi, que vive nos EUA, diz que objetivo é enfraquecer economia e "colocar de joelhos" aparato repressivo do regime. Protestos completam quase duas semanas, com mais de 50 manifestantes mortos.O filho primogênito do último xá do Irã, Reza Pahlavi, convocou os trabalhadores iranianos a iniciarem neste sábado (10/01) uma greve geral, após quase 14 dias de protestos por todo o país, para enfraquecer os pilares financeiros da economia e derrubar o aparato repressivo do regime encabeçado pelo líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Além de fazer o apelo à greve geral, especialmente aos trabalhadores de setores estratégicos para a economia, como transporte e energia, Pahlavi voltou a pedir aos iranianos que saiam às ruas para se manifestar neste sábado e domingo com bandeiras, imagens e símbolos nacionais.
"Nosso objetivo já não é simplesmente sair às ruas: é nos prepararmos para tomar os centros das cidades e mantê-los", afirmou Pahlavi numa mensagem em farsi a partir do exílio nos EUA publicada em redes sociais e acompanhada de um vídeo.
Vida no exílio
O filho do último xá do Irã vive no exílio desde a derrubada de seu pai, Mohammad Reza Pahlavi, em 1979. Ele acrescentou que se prepara para "voltar à pátria" para que, no "momento da vitória de nossa revolução", possa "estar ao lado" da "grande nação do Irã".
"Acredito que esse dia está muito próximo", declarou Pahlavi quando se completam quase 14 dias de protestos em várias cidades iranianas e com o país sem internet e serviços de telefonia depois que as autoridades cortaram o acesso na quinta-feira, numa aparente tentativa de controlar as mobilizações, que têm sido fortemente reprimidas pelas forças de segurança.
Pahlavi reivindica um papel de liderança na oposição. Há anos que não há mais no Irã uma força política reconhecida pelos manifestantes como uma oposição credível. Por isso muitas pessoas no país depositam suas esperanças no apoio do exterior. Durante os atuais protestos, manifestantes gritaram "viva o rei!", numa referência direta ao filho exilado do antigo xá.
O acadêmico iraniano Sadegh Sibakalam, um crítico do regime, diz que o atual apoio a Pahlavi deve-se menos às qualidades de liderança dele e mais à incompetência, má gestão e decisões equivocadas do regime iraniano.
Mais de 50 mortos
Ao menos 51 manifestantes, incluindo nove crianças, foram mortos e centenas ficaram feridos em todo o Irã desde o início dos protestos em 28 de dezembro, segundo um relatório divulgado na sexta-feira pela ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega.
Dos mortos, ao menos nove são menores, enquanto centenas de pessoas ficaram feridas nos primeiros 13 dias de manifestações.
A ONG sediada na Noruega afirmou que existem relatos e vídeos que sugerem que o número de mortos pode ser muito maior, mas que só contou casos que conseguiu verificar diretamente ou que foram verificados por duas fontes independentes.
O número de detidos já ultrapassa os 2.200, segundo a ONG.
as (Efe, DPA, Lusa, AFP)