Ficção científica real: cientistas criam traje para baratas ajudarem em missões espaciais
Pesquisadores de Cingapura desenvolvem mochilas de oxigênio químico para controlar baratas remotamente em cenários de desastres e exploração planetária extrema
Cientistas da Universidade Tecnológica de Nanyang, em Cingapura, desenvolveram trajes de sobrevivência especiais para baratas. O objetivo é que elas permaneçam vivas e operantes por até três horas em ambientes totalmente desprovidos de oxigênio. Por exemplo, o espaço. A inovação tecnológica foi desenhada para potencializar o resgate de vítimas em estruturas colapsadas e, em um plano mais ambicioso, viabilizar a exploração da superfície de Marte.
Os animais recebem implantes eletrônicos que servem para guiar seus comandos direcionais de forma remota. O novo equipamento funciona por meio de uma reação química contínua, utilizando uma solução diluída de peróxido de hidrogênio e uma esponja com catalisador para gerar oxigênio diretamente nos canais respiratórios do bicho. O coordenador do projeto, professor Hirotaka Sato, detalhou o horizonte comercial e científico da iniciativa em entrevista recente à revista New Scientist.
"Ao expandir os parâmetros operacionais de nossos insetos ciborgues para incluir viagens subaquáticas, acreditamos que eles podem aprimorar os esforços de busca e resgate", afirmou.
Baratas rumo ao Espaço
O pesquisador explicou que a autonomia estendida resolve um gargalo histórico das operações subaquáticas ou de infiltração em túneis tomados por gases tóxicos. O objetivo de longo prazo é consolidar o acessório como um verdadeiro traje espacial para invertebrados.
A aplicação prática dessa engenharia de biobots vem sendo maturada pelo laboratório de Cingapura há cerca de cinco anos. Em testes anteriores, a equipe conseguiu coordenar um enxame de 20 espécimes de maneira simultânea para desviar de barreiras físicas. Os registros oficiais apontam que dez desses animais modificados integraram as frentes de busca da Operação Lionheart. Missão foi deflagrada logo após o severo terremoto que atingiu Myanmar no ano de 2025.
Paralelamente, cientistas da Universidade Estadual da Carolina do Norte também exploram essa vertente há mais de uma década. A abordagem norte-americana foca no acoplamento de microfones direcionais de alta sensibilidade para mapear os pedidos de socorro de pessoas soterradas sob os escombros. A meta desses sensores é filtrar os ruídos das estruturas de concreto e isolar a frequência da voz humana para guiar os bombeiros com precisão cirúrgica.
Por fim, apesar do entusiasmo com os resultados nas simulações de vácuo, radiação e temperaturas extremas, a barreira para levar o projeto ao espaço esbarra em protocolos internacionais rígidos. Assim, as principais agências espaciais do planeta impõem restrições severas ao transporte de material biológico terrestre para outros astros. No entanto, o receio da comunidade científica é que a introdução acidental de micro-organismos em solo marciano sabote as pesquisas atuais que buscam identificar sinais autênticos de vida extraterrestre.
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