Estados Unidos destroem maior ponte do Irã
Ataque que matou oito pessoas e deixou 95 feridos foi compartilhado por Trump nas redes sociais. Estrutura fica em Karaj, na província de Alborz, a 35 quilômetros de Teerã. Acompanhe o conflito.
Para contornar bloqueio em Ormuz, Iraque começa a exportar petróleo pela Síria
Macron afirma que a opção militar para reabrir o Estreito de Ormuz é "irrealista"
Trump sugere que aliados abram o Estreito de Ormuz por conta própria, e volta a ameaçar com saída dos EUA da Otan
Irã desmente anúncio de Trump sobre interesse em cessar-fogo
Iraque e Catar registram novos ataques à indústria petrolífera
Jornalista americana é sequestrada em Bagdá
Comissão parlamentar iraniana aprova projeto para cobrar pedágio em Ormuz
Israel diz que vai ocupar quase 10% do Líbano; militares libaneses se retiram de cidades na fronteira
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Bombardeio dos EUA à maior ponte iraniana mata oito e deixa 95 feridos
O presidente Donald Trump afirmou nesta quinta-feira (02/04) que as forças armadas dos Estados Unidos bombardearam a maior ponte do Irã, em Karaj, na província de Alborz. De acordo com o governador da região iraniana, o ataque matou oito pessoas e feriu outras 95.
Ao The New York Times, um oficial americano disse, em condição de anonimato, que o bombardeio à ponte B1 eliminou uma rota logística planejada para dar suporte a mísseis balísticos e drones iranianos.
Trump postou nas redes sociais imagens de fumaça subindo da ponte B1 em Karaj, a cerca de 35 quilômetros a sudoeste de Teerã e advertiu que haveria mais destruição, a menos que o Irã se sentasse à mesa para pôr fim à guerra que já dura cinco semanas.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, disse em uma postagem no X, que "atacar estruturas civis, incluindo pontes inacabadas, não obrigará os iranianos a se renderem".
Em resposta, o Irã disparou mais mísseis contra Israel e os países árabes do Golfo, aliados dos EUA.
No Líbano - onde Israel lançou uma invasão terrestre contra militantes do Hezbollah apoiados pelo Irã - ataques israelenses mataram 27 pessoas nas últimas 24 horas, informou o Ministério da Saúde.
Desde 28 de fevereiro, mais de 1,9 mil pessoas foram mortas no Irã, enquanto 19 mortes foram registradas em Israel. Mais de duas dezenas de pessoas morreram nos países do Golfo e na Cisjordânia ocupada, enquanto 13 militares americanos foram mortos.
Mais de 1,3 mil pessoas foram mortas e mais de 1 milhão ficaram deslocadas no Líbano. Dez soldados israelenses também morreram no país.
fcl (AP, AFP, ots)
Macron afirma que a opção militar para reabrir o Estreito de Ormuz é "irrealista"
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que a França considera "irrealista" a reabertura do Estreito de Ormuz por meio de uma operação militar.
"Há quem defenda a ideia de reabrir o Estreito de Ormuz pela força, por meio de uma operação militar, uma posição que, por vezes, tem sido expressada pelos Estados Unidos", disse Macron a repórteres nesta quinta-feira (02/04), durante uma visita à Coreia do Sul. "Essa nunca foi a opção que escolhemos, e consideramos irrealista."
Macron disse que uma operação militar levaria uma quantidade infinita de tempo e exporia qualquer um que passasse pelo estreito a ameaças costeiras da Guarda Revolucionária iraniana.
A reabertura do estreito "só pode ser feita em coordenação com o Irã", por meio de negociações que se seguiriam a um possível cessar-fogo, disse Macron.
A França está pressionando por uma missão internacional envolvendo nações europeias e não europeias para escoltar petroleiros e gaseiros e reabrir o Estreito de Ormuz após o término da fase mais intensa do conflito.
gq (AP)
Para contornar bloqueio em Ormuz, Iraque começa a exportar petróleo pela Síria
O Iraque começou a exportar petróleo através da vizinha Síria enquanto tenta reativar sua economia, atingida pelo atual conflito no Oriente Médio.
Na quarta-feira, o Ministério do Petróleo iraquiano afirmou estar "cooperando com a Síria para garantir que o petróleo chegue aos pontos de exportação" e que as operações aumentarão gradualmente.
A estatal iraquiana de petróleo, Somo, assinou um contrato para exportar 50 mil barris por dia de petróleo bruto pela Síria até o Mediterrâneo e para clientes na Europa. O diretor-geral, Ali Nazar, disse que há planos para ampliar os volumes.
O Iraque, que compartilha uma longa fronteira com o Irã, depende das exportações de petróleo para 90% de suas receitas. A maior parte da commodity é escoada pelo porto de Basra, no sul, e pelo Estreito de Ormuz, agora bloqueado pelo Irã.
Desde o início da guerra, a produção de petróleo no sul do Iraque caiu mais de 70%, disse Bassem Abdul Karim, chefe da estatal Basra Oil Company.
Com campos petrolíferos, infraestrutura energética e bases militares dos EUA dentro do Iraque sendo alvo tanto do Irã quanto de milícias iraquianas apoiadas por Teerã, muitos trabalhadores estrangeiros fugiram do local.
Segundo Abdul Karim, o Irã ofereceu garantias de que o petróleo iraquiano pode transitar com segurança pelo Estreito de Ormuz. No entanto, como Bagdá não possui frota própria de petroleiros e depende de navios fretados sob bandeiras estrangeiras, os embarques dependem da disposição dos proprietários dessas embarcações em assumir o risco da travessia.
As rotas terrestres de exportação via oleoduto pela Síria e pela Jordânia são consideradas limitadas, e o transporte rodoviário por caminhões é mais custoso. Mas, com especialistas alertando que o governo iraquiano só tem reservas de caixa suficientes para se manter até meados de maio sem a retomada das vendas de petróleo, essa é, por ora, a única opção disponível para Bagdá.
gq (DW, AP)
Áustria veta uso de seu espaço aéreo pelos EUA
A Áustria afirmou ter recusado pedidos dos Estados Unidos para usar seu espaço aéreo em missões de bombardeio no Irã. O porta‑voz militar austríaco, coronel Michael Bauer, disse que tais solicitações são rejeitadas automaticamente sempre que envolvem um país em guerra.
Com isso, a Áustria se junta a outros países da União Europeia que também se recusaram a participar — mesmo de forma indireta — das ações militares dos EUA e de Israel.
A Itália, por exemplo, proibiu o uso da Base Aérea de Sigonella, na Sicília, por aeronaves militares americanas.
A França fechou seu espaço aéreo para voos suspeitos de transportar equipamento militar para Israel, e a Espanha adotou medidas semelhantes.
gq (DW)
Reino Unido organiza cúpula para discutir reabertura do Estreito de Ormuz
O Reino Unido organiza uma cúpula virtual nesta quinta‑feira (02/04) com 35 países para discutir opções para reabrir o Estreito de Ormuz.
A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper, irá presidir a conferência.
A reunião "avaliará todas as medidas diplomáticas e políticas viáveis que podemos tomar para restaurar a liberdade de navegação, garantir a segurança dos navios e tripulações retidos e retomar o transporte de commodities vitais", disse o primeiro‑ministro britânico, Keir Starmer.
O Estreito de Ormuz está paralisado devido a ataques iranianos contra navios comerciais e à ameaça de novas ofensivas. A interrupção do tráfego marítimo fez disparar os preços do petróleo.
Starmer afirmou que retomar o transporte marítimo "não será fácil" e exigirá "uma frente unida de força militar e ação diplomática", em parceria com a indústria marítima.
O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou aliados que se recusaram a enviar uma operação militar para garantir a navegação no estreito e afirmou que cada um deve "buscar seu próprio petróleo". Países europeus têm rejeitado a ideia para evitar se envolver diretamente no conflito.
Starmer manteve a posição ao indicar que a reunião deve definir estratégias de segurança para o transporte marítimo para "depois que os combates terminarem".
Participarão do encontro países que recentemente assinaram uma declaração afirmando estar preparados para contribuir com esforços para garantir a passagem segura pela rota estratégica, incluindo Alemanha, França e Japão.
gq/ra (DW)
Trump promete manter ataques ao Irã; preços do petróleo disparam
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (1/04) que as forças americanas continuarão atingindo o Irã "com muita força" nas próximas duas ou três semanas e levarão o país "de volta à Idade da Pedra".
Em um discurso nacional, o americano disse que o Irã continuará enfrentando uma série de ataques no curto prazo. A expectativa de continuidade da ofensiva fez os preços do petróleo dispararem de novo.
"Vamos atingi‑los de forma extremamente dura nas próximas duas a três semanas. Vamos levá‑los de volta à Idade da Pedra, onde eles pertencem", disse.
O presidente americano não mencionou negociações com o Irã nem fez referência ao prazo de 6 de abril que ele estabeleceu para que o país reabra o Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte global de petróleo e gás. No entanto, ele voltou a ameaçar atacar a infraestrutura energética iraniana caso o estreito não fosse reaberto.
A chegada de tropas americanas na região, que ampliou temores de uma invasão terrestre, também não foi mencionada pelo presidente. Ele tampouco citou suas renovadas ameaças de retirar os EUA da Otan devido à falta de apoio dos aliados no Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo dispararam após as declarações. O Brent, referência internacional, saltou 6,9%, para 108,15 dólares por barril (R$ 557,91). O petróleo americano avançou 6,4%, para 106,55 dólares (R$ 549,66).
Autoridade iraniana chama discurso de Trump de "insano"
Um porta‑voz do presidente iraniano Masoud Pezeshkian classificou o discurso de Trump como "insano".
"Trump está enredado em declarações insanas. Hoje, o Irã administra o Estreito de Ormuz com força", disse Elias Hazrati à televisão estatal iraniana.
Já um porta‑voz das Forças Armadas do Irã afirmou que Teerã mantém estoques ocultos de armas e munições. "Os centros que vocês pensam ter atingido são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em locais dos quais vocês não têm conhecimento e jamais alcançarão", afirmou o tenente‑coronel Ebrahim Zolfaghari.
gq/ra (AP)
Presidente do Irã divulga carta aos cidadãos americanos: "Nunca iniciamos uma guerra"
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, divulgou nesta quarta-feira (01/04) uma carta aberta aos cidadãos americanos, na qual critica a guerra deEstados Unidos e Israel contra o seu país e classifica a operação como "absurda" e "onerosa" para a nação de Donald Trump.
"Hoje, o mundo encontra‑se em uma encruzilhada. Prosseguir por um caminho de confrontação é mais custoso e mais inútil do que nunca", afirmou o presidente na mensagem, divulgada pela emissora estatal de TV iraniana.
Pezeshkian declarou que o Irã já enfrentou muitos agressores ao longo de sua história. "Tudo o que resta deles são nomes manchados nas páginas da história, enquanto o Irã permanece, resiliente, digno e orgulhoso."
"O Irã, por seu próprio nome, caráter e identidade, é uma das civilizações mais antigas e ininterruptas da história da humanidade. O Irã nunca, em sua história moderna, escolheu o caminho da agressão, da expansão, do colonialismo ou da dominação. O Irã nunca iniciou uma guerra. No entanto, repeliu com determinação e coragem aqueles que o atacaram", continua a carta.
Segundo a mensagem, a escolha entre guerra e paz definirá o futuro de gerações inteiras.
Para padrões iranianos, uma carta aberta dirigida ao povo dos Estados Unidos é algo incomum. Observadores interpretam o gesto como uma tentativa do Irã de persuadir a opinião pública americana de que a decisão de Washington foi equivocada, pressionando assim indiretamente por um cessar‑fogo.
O presidente americano também se dirigirá à nação em um pronunciamento na noite desta quarta. Trump emitiu um ultimato ao Irã que expira na noite de 6 de abril. Até lá, o país deverá reabrir a navegação no Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo.
fcl (dpa)
Maioria dos americanos é contra envio de tropas ao Irã
A maioria dos cidadãos dos EUA se opõe ao envio de tropas terrestres do país para a guerra no Oriente Médio, uma medida polêmica que o presidente do país, Donald Trump, estaria considerando.
De acordo com uma pesquisa The Economist-YouGov, 62% dos americanos se opõem ao envio de tropas terrestres ao Irã e 24% não têm certeza se essa é uma opção adequada, contra 14% que seriam a favor. Outras pesquisas realizadas por Ipsos e AP-NORC também mostraram que, para cada quatro cidadãos que se opõem, apenas um apoiaria a medida.
A impopularidade da decisão é tamanha que, mesmo entre os republicanos, a maioria se opõe ao envio de efetivos, com 37% contra e 30% a favor, segundo a YouGov. O apoio não é robusto nem mesmo entre a base ideológica mais próxima de Trump: 41% dos que se identificam como seguidores do presidente seriam a favor, enquanto 27% se opõem.
Em um contexto de incerteza em torno do conflito no Irã e de preocupação com as consequências econômicas (com o preço da gasolina chegando a 4 dólares por galão), Trump planeja fazer um pronunciamento à nação na noite desta quarta-feira.
O presidente afirmou na terça-feira que prevê "retirar-se" do Irã em "duas ou três semanas", argumentando que os objetivos que motivaram a intervenção estão sendo alcançados, como impedir que a república islâmica obtenha uma arma nuclear.
Ao contrário de outros conflitos, como no início da guerra do Iraque em 2003, a opinião pública não tem sido favorável à intervenção no Irã desde o início.
Mesmo entre os simpatizantes de Trump, a decisão foi questionada por ir contra um dos princípios ideológicos do republicano durante a campanha eleitoral — princípio esse que o levou à Casa Branca — e que consistia em rejeitar a participação dos Estados Unidos em conflitos internacionais longe de suas fronteiras, como as guerras no Iraque e no Afeganistão.
A aprovação do presidente vem caindo progressivamente na média das pesquisas do Decision Desk HQ (DDHQ) nas semanas decorridas desde que os EUA e Israel lançaram seus primeiros ataques conjuntos. O índice caiu abaixo de 40% pela primeira vez durante seu segundo mandato na semana passada e agora se situa em um mínimo próximo a 39,7%.
O índice médio de desaprovação de Trump permanece próximo ao ponto mais alto de seu segundo mandato, ultrapassando 56%.
A taxa de aprovação em relação à economia despencou para 31%, segundo uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira pela CNN, já que quase dois terços dos entrevistados afirmaram que as políticas de Trump pioraram as condições econômicas nos Estados Unidos.
O Pentágono se prepara para semanas de operações terrestres no Irã, caso Trump decida intensificar o conflito, segundo publicações da imprensa americana. O governo está considerando a possível tomada da ilha de Kharg, um importante centro de exportação de petróleo iraniano, e incursões em outras zonas costeiras próximas ao estreito de Ormuz para localizar e destruir armas que possam atacar navios comerciais e militares.
jps (EFE)
Trump diz que Irã pediu "cessar-fogo"; regime refuta afirmação
Donald Trump afirmou nesta quarta-feira que um "novo presidente do regime do Irã" pediu um "cessar-fogo" aos EUA e sinalizou que considerará essa possibilidade assim que o Estreito de Ormuzfor reaberto.
"O novo presidente do regime do Irã, muito menos radicalizado e muito mais inteligente do que seus antecessores, acabou de pedir aos Estados Unidos da América um CESSAR-FOGO!", escreveu Trump, embora não tenha deixado claro a quem se referia. "Vamos considerar isso quando o Estreito de Ormuz estiver aberto, livre e desobstruído", completou Trump.
No entanto, o regime iraniano negou categoricamente que tenha feito tal pedido. O país oficialmente também não tem "um novo presidente". O chefe do Executivo é o mesmo desde 2024: Masoud Pezeshkian.
Após Trump fazer tal afirmação, o Ministério do Exterior iraniano refutou o anúncio, classificando-o como "falso e infundado" em declaração à TV estatal.
Já a Guarda Revolucionária, a principal força de segurança do regime que mantém o controle do estreito, enfatizou que a passagem seguirá fechada para os "inimigos" e rejeitou o que descreveu como "ações performáticas" de Trump.
Segundo o republicano, até que o estreito esteja "aberto, livre e liberado", "nós explodiremos o Irã até a obliteração ou, como dizem, de volta à Idade da Pedra!!!".
ra (AP)
Macron volta a descartar entrada da França na ofensiva dos EUA contra o Irã: "Não fazemos parte desta guerra"
O presidente Emmanuel Macron declarou nesta quarta-feira que a França "não foi consultada" sobre o início da guerra contra o Irã e rejeitou participar nela, em resposta às críticas de Donald Trump em relação à decisão de Paris de não permitir voos de aeronaves americanas usadas no conflito.
"É absolutamente verdade que a França, que não foi consultada e não faz parte desta ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e por Israel, não está participando. Mas isto não é novidade. É esta a verdade desde o primeiro dia, assim, não há motivo para a surpresa", disse Macron numa entrevista transmitida pelo canal japonês NHK durante uma visita a Tóquio.
Trump acusou na terça-feira a França de ser "muito pouco cooperativa" na guerra, lamentando que o país "não tenha permitido que aviões que transportassem equipamento militar sobrevoassem o território francês com destino a Israel".
A Presidência francesa já tinha manifestado o seu espanto em relação à declaração, confirmando que esta era "a posição de França desde o início deste conflito".
Macron também reiterou o seu apelo "à paz, à desescalada e a uma retomada das negociações, que são as únicas capazes de resolver as questões fundamentais".
"Nada seria pior do que bombardear a região durante semanas a fio e depois se retirar sem que um plano seja novamente restabelecido. O que a França defende é precisamente isso: um plano exigente para a cooperação", explicou.
Macron pediu ainda "a reabertura ordenada e pacífica do Estreito de Ormuz, em consulta com todas as partes interessadas".
O bloqueio desta passagem marítima no Golfo, devido à retaliação iraniana, vem impedindo o trânsito de petróleo, afetando as economias de muitos países, incluindo o Japão, que é altamente dependente de combustível importado do Oriente Médio.
Segundo o presidente francês, a França e o Japão, "juntamente com vários outros países da Ásia, do Oriente Médio e da Europa, podem desempenhar um papel para garantir a continuidade do trânsito através do Estreito de Ormuz".
Macron esclareceu ainda que este papel, "de forma alguma", iria optar por uma "opção militar" para o desfecho da situação. "Podemos fazê-lo precisamente porque não fazemos parte desta guerra", afirmou o líder francês.
jps (Lusa)
Companhias áreas dos Emirados Árabes dizem que iranianos estão proibidos de entrar no país
Os cidadãos iranianos "não têm permissão para entrar nem transitar" pelos Emirados Árabes Unidos, de acordo com as companhias aéreas Emirates e Flydubai, em um momento em que Teerã lança diariamente mísseis e drones contra este país do Golfo Pérsico como resposta à guerra lançada por Estados Unidos e Israel.
Segundo as seções de "restrições de nacionalidade" nos sites de ambas as companhias aéreas, "os cidadãos iranianos não têm permissão para entrar nem transitar pelo país", embora a Flydubai especifique que estão isentos desta proibição aqueles que possuem um "visto dourado", uma permissão exclusiva de residência de longo prazo.
Desde o início da guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro, as defesas aéreas dos Emirados Árabes Unidos interceptaram 2.012 drones, 19 mísseis de cruzeiro e 438 mísseis balísticos, segundo dados do Ministério da Defesa emiratense publicados nesta quarta-feira, que mostram que apenas hoje foram interceptadas cinco aeronaves não tripuladas e cinco mísseis balísticos.
O território emiratense tem sido o mais castigado do Golfo Pérsico, e os ataques iranianos provocaram graves consequências para a economia desta nação árabe, cujas receitas são fortemente dependentes da exportação de hidrocarbonetos que transitam pelo Estreito de Ormuz.
jps (EFE)
Novos ataques do Irã e de milícias aliadas à indústria petrolífera do Golfo
Um depósito de combustível no norte do Iraque ligado à gigante britânica de petróleo e gás natural BP foi alvo de diversos drones na manhã desta quarta-feira (1º/4), informou a empresa que opera a instalação.
Não houve registro de vítimas.
O ataque ao depósito de óleo lubrificante ocorreu em Irbil, capital da região semiautônoma do Curdistão iraquiano, afirmou o Sardar Group, um grande grupo automotivo no Iraque, em comunicado. A empresa disse que a instalação pertence à Castrol, subsidiária da BP.
O comunicado informou que o primeiro drone atingiu a instalação às 7h20, antes de ela ser atacada novamente por mais dois drones enquanto os bombeiros combatiam o incêndio.
O ataque iniciou um incêndio de grandes proporções que lançou uma coluna de fumaça preta no ar, segundo imagens que circulavam nas redes sociais.
Petroleiro atacado na costa do Catar
Também nesta quarta, um petroleiro foi atingido por um míssil de cruzeiro iraniano perto da costa do Catar.
A embarcação havia sido fretada pela estatal QatarEnergy, segundo as autoridades daquele país. Todos os 21 tripulantes foram evacuados e não houve vítimas, informou o Ministério da Defesa, que disse ainda ter interceptado outros dois mísseis.
A pasta atribuiu o ataque ao Irã. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou o ataque e afirma que o petroleiro pertencia a Israel.
"Um petroleiro pertencente ao regime sionista ilegítimo e assassino de crianças, com o nome comercial 'Aqua 1', na região central do Golfo Pérsico, foi precisamente atacado na valente batalha de mísseis das forças navais do IRGC e está em chamas", disseram os Guardas em comunicado divulgado pela televisão estatal.
Paquistão recebe carga de petróleo vinda do Estreito de Ormuz
Um navio paquistanês que transportava petróleo chegou à cidade portuária de Karachi, no sul do país, após cruzar o Estreito de Ormuz, enquanto um segundo navio chegou ao porto por uma rota diferente, informou na quarta-feira um porta-voz da Autoridade Portuária de Karachi.
O porta-voz Shariq Farooqi disse que mais navios com bandeira do Paquistão trazendo petróleo de países do Golfo são esperados neste mês.
Dias antes, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão afirmara que o Irã havia concordado em permitir a passagem de outros 20 navios com bandeira paquistanesa passassem.
O Paquistão tem atuado para tentar encerrar o conflito entre os Estados Unidos e o Irã, incentivando ambos os lados a retomarem as negociações.
ra (AP, AFP, EFE)
Guarda Revolucionária passa a recrutar crianças, denuncia ONG; menino de 11 anos é morto em ataque
A organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) afirmou que a Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) conduz uma campanha para recrutar crianças e adolescentes para se tornarem "combatentes defensores da pátria".
Segundo a entidade, crianças de apenas 12 anos têm sido recrutadas para servir em diferentes funções.
"Ao recrutar e utilizar crianças em operações militares, comete-se uma grave violação dos direitos da criança — e um crime de guerra quando elas têm menos de 15 anos", afirmou a organização sediada nos Estados Unidos.
"O que isso revela é que as autoridades iranianas aparentemente estão dispostas a arriscar a vida de crianças em troca de um pouco mais de mão de obra", disse Bill Van Esveld, da HRW.
Guarda recruta menores
As declarações vêm após um órgão subordinado à Guarda Revolucionária fazer um apelo para mobilizar voluntários em Teerã. A campanha de recrutamento, intitulada "Combatentes Defensores da Pátria pelo Irã", foi aberta a qualquer pessoa a partir de 12 anos.
Em entrevista à agência Defa Press, o oficial iraniano Rahim Nadali afirmou que a campanha busca atrair civis para prestar serviços de cozinha e atendimento médico, distribuir suprimentos e auxiliar em casas danificadas, além de atuar em atividades de segurança, como postos de controle, patrulhas operacionais, patrulhas de inteligência e comboios de veículos.
O cartaz de divulgação da campanha, publicado pela agência, lista essas atividades e mostra duas crianças — um menino e uma menina — ao lado de dois adultos, incluindo um homem em uniforme militar.
Segundo o jornal britânico The Telegraph, poucos dias após o lançamento da campanha, um menino de 11 anos foi morto em um ataque de drone em um posto de controle militar em Teerã. Ele estava destacado no posto de controle da Rodovia Artesh, ajudando o pai a "defender o Irã".
gq/ra (DPA, OTS)
Barato e mortal: o drone iraniano que revoluciona a guerra
Poucas horas após os primeiros mísseis americanos e israelenses atingirem Teerã, em 28 de fevereiro, a Guarda Revolucionária do Irã lançou suas primeiras baterias retaliatórias, empregando um dispositivo desenvolvido há anos pelo país e que, em poucos dias, conseguiu penetrar sistemas de defesa aérea de Israel e de estados do Golfo.
Baratos e de fácil produção, os drones iranianos Shahed 136 se consolidaram como um dos principais trunfos do país no conflito, atingindo rapidamente alvos como data centers, infraestrutura energética, aeroportos e até bases navais.
Em duas semanas de trocas de ataques, mais de mil aeronaves desse tipo já haviam sido lançadas pelo Irã. A estratégia aposta no volume, não na precisão: grandes enxames são disparados simultaneamente para saturar as defesas aéreas. Com apenas 3,5 metros de comprimento, eles podem ser lançados a partir de estruturas simples, montadas em poucas horas. A estratégia é a mesma empregada pela Rússia em sua invasão à Ucrânia, que usa os mesmos drones Shahed-136 contra instalações civis do país vizinho.
O preço justifica a quantidade. Um drone Shahed custa entre 20 mil e 50 mil dólares (R$ 100 mil a R$ 261 mil), segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos, enquanto o disparo de um único míssil de defesa aérea usado pelos EUA e aliados para derrubar esses drones pode custar entre 1,3 milhão e 4 milhões de dólares. (R$ 6,7 milhões a R$20,9 milhões).
Cálculos da agência Reuters mostram que o custo de apenas um míssil de defesa Patriot seria suficiente para financiar ao menos 115 drones de ataque iranianos.
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UE recomenda menos viagens e mais home office em meio à guerra
O comissário europeu para energia, Dan Jorgensen, instou nesta terça-feira (31/03) os países-membros da União Europeia (UE) a se prepararem para interrupções prolongadas nas cadeias de fornecimento de energia e a começarem a implementar medidas para economizar combustível em meio ao agravamento da guerra no Irã, que tem pressionado os mercados de petróleo e gás.
Numa carta enviada aos 27 países-membros do bloco, Jorgensen incentivou a adoção de um plano de dez pontos elaborado pela Agência Internacional de Energia (AIE) que inclui: incentivo ao home office, car sharing e uso do transporte público; redução do limite de velocidade em autoestradas; medidas para uso de energia elétrica em vez de gás de cozinha; e redução de viagens aéreas.
O plano da AIE foi originalmente elaborado em 2022, no início da guerra na Ucrânia, que também provocou interrupções no mercado global de energia.
Agora, o apelo de Jorgensen é feito num momento em que ministros de energia de países-membros da UE avaliam como lidar com escassez global diária de 11 milhões de barris de petróleo e de mais de 300 milhões de metros cúbicos de gás natural liquefeito (GNL) provocada pela guerra no Irã.
Desde o início do conflito no Oriente Médio, os preços na UE subiram cerca de 70% para o gás e 60% para o petróleo. Em 30 dias de conflito, essa alta já acrescentou 14 bilhões de euros aos custos de importação de combustíveis fósseis da UE.
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