Estudos apontam que uma dose ao dia já pode aumentar os riscos de algum tipo de câncer
No contexto brasileiro, levantamentos nacionais indicam que o padrão de consumo de álcool varia entre diferentes grupos populacionais
Uma série de pesquisas científicas divulgadas recentemente reforça que o consumo de bebidas alcoólicas - mesmo em níveis considerados moderados - está associado a um aumento do risco de vários tipos de câncer. Especialistas alertam que o álcool é um agente carcinogênico classificado pela Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer, que faz parte da Organização Mundial da Saúde, como de Grupo 1, o mesmo nível de substâncias como o tabaco e o amianto.
O Centers for Disease Control and Prevention, principal organização nacional de serviços baseada em ciência e dados que protege a saúde pública dos Estados Unidos, indica que o risco de câncer aumenta com o consumo de bebidas alcoólicas, influenciando diretamente a probabilidade de desenvolver tumores em organismos humanos. Esse aumento de risco é observado em pelo menos sete tipos de câncer: mama, boca, faringe, laringe, esôfago, fígado e cólon/recto. Quando associado ao tabagismo, o risco se torna ainda mais elevado do que o uso isolado deles.
De acordo com o chefe do Serviço de Oncologia do Hospital Moinhos de Vento, Sergio Roithmann, o álcool pode causar prejuízos à saúde de múltiplas maneiras. "Quando ingerido, é metabolizado em substâncias - como o acetaldeído, que pode danificar o DNA das células - e promove processos como estresse oxidativo, inflamação crônica e alterações nos níveis hormonais. Esses mecanismos favorecem mutações celulares que podem desencadear a formação de tumores", explica.
O especialista ainda destaca que não existe um nível seguro de consumo de álcool em relação ao câncer. "Estudos de organizações internacionais recomendam que, para minimizar riscos, aqueles que optam por beber limitem sua ingestão, e que qualquer redução no consumo pode trazer benefícios à saúde", pontua Roithmann.
Em relação às dúvidas sobre a quantidade, algumas pesquisas destacam que um drinque por dia já está associado a um risco aumentado para alguns tipos de câncer, como o de mama, em comparação com não beber. Isso reforça que, embora muitos considerem o consumo moderado socialmente aceitável, a relação entre álcool e câncer não é trivial e merece atenção da saúde pública e da população, na questão comportamental.
Índices brasileiros
No contexto brasileiro, levantamentos nacionais indicam que o padrão de consumo de álcool varia entre diferentes grupos populacionais. Uma pesquisa da Ipsos-Ipec, realizada a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), destaca um movimento favorável ao que se refere à melhora da qualidade de vida.
Cerca de 64% dos adultos afirmaram não beber em 2025, um avanço expressivo em relação aos 55% registrados em 2023. A geração Z é a que menos consome álcool. Dados de uma pesquisa da MindMiners feita com 3 mil pessoas indicam que, entre os jovens da geração, de 16 a 30 anos, apenas 45% afirmam beber.
"Esses dados representam esperança de que a população esteja caminhando para uma maior conscientização e, consequentemente, para uma rotina mais saudável. Uma vez que se tem a diminuição do consumo de álcool, há também a redução de um fator de risco importante para o desenvolvimento do câncer e de outras doenças crônicas, o que impacta positivamente tanto a saúde individual quanto os sistemas de saúde como um todo", finaliza o especialista.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.