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Estudo no Japão testa terapia celular e revela avanços inéditos no tratamento do Parkinson

Pesquisa japonesa com células-tronco apresenta resultados promissores em pacientes e abre caminhos para o futuro do tratamento neurológico

20 abr 2026 - 14h35
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Imagens recentes do cérebro de pacientes que convivem com o Parkinson renovaram as esperanças de toda a comunidade científica e daqueles que enfrentam a patologia diariamente. Os exames revelam que uma nova pesquisa realizada no Japão conseguiu aumentar de forma significativa a produção de dopamina em regiões específicas do cérebro atingidas pela enfermidade, apenas dois anos após a realização de um transplante de células. O estudo, conduzido pela Universidade de Kyoto, utiliza uma técnica avançada de medicina regenerativa, popularmente conhecida como terapia celular. Os resultados observados clinicamente em sete pacientes voluntários são considerados um verdadeiro marco e sinalizam o início de um novo capítulo na história do tratamento desta condição neurodegenerativa.

Pesquisa no Japão usa terapia celular e apresenta resultados inéditos no tratamento do Parkinson
Pesquisa no Japão usa terapia celular e apresenta resultados inéditos no tratamento do Parkinson
Foto: Canva Fotos / Perfil Brasil

Esta pesquisa ambiciosa fundamenta-se na descoberta revolucionária do cientista japonês Shinya Yamanaka, agraciado com o Prêmio Nobel de Medicina em 2012. O pesquisador demonstrou que qualquer célula madura do organismo pode ser reprogramada para um estado semelhante ao das células-tronco embrionárias. Graças a esse processo, qualquer célula poderia, em teoria, ser transformada em neurônios produtores de dopamina, que são justamente os componentes celulares que cessam suas funções corretamente no organismo de quem tem Parkinson.

Como funciona o transplante cerebral

A execução prática do método exige precisão absoluta. Segundo o responsável pela condução do estudo, Jun Takahashi, ao Fantástico, o processo é meticuloso: "Primeiro você pega amostra de sangue de doadores. Então, as transformamos em células neurônios produtores de dopamina. Usamos dez milhões de células". No contexto do Parkinson, essas células são induzidas a se tornarem neurônios produtores de dopamina, que é um neurotransmissor vital para o controle de movimentos, regulação do humor, atenção e memória. A degeneração progressiva desses neurônios é o fator principal por trás dos sintomas motores incapacitantes da doença, como os tremores e a rigidez muscular.

Durante o procedimento cirúrgico, que é minimamente invasivo, milhões dessas novas células são implantadas diretamente em uma área profunda do cérebro chamada putâmen. O objetivo central é permitir que elas passem a produzir dopamina de modo contínuo, atuando como um mecanismo de compensação para a perda dos neurônios originais do paciente.

Resultados clínicos e próximos passos

Os exames de imagem realizados no período pós-transplante confirmaram o aumento na produção de dopamina nas áreas mapeadas. Os sete voluntários que participaram desta fase inicial possuem entre 50 e 70 anos. Em média, houve uma melhora próxima de 20% nos sintomas motores, com registros pontuais onde a evolução positiva chegou a 50% após dois anos de acompanhamento. Rubens Cury, neurologista referência no tratamento de Parkinson no Brasil, avalia o cenário ao Fantástico: "É o primeiro trabalho que, de fato, mostrou uma viabilidade clínica de se usar a célula-tronco. Você tem, há mais de 20 anos, pesquisas com célula-tronco e doença de Parkinson, mas as pesquisas iniciais, infelizmente, não foram bem, porque aquela célula crescia demais no cérebro dos pacientes e causava efeitos colaterais importantes".

Atualmente, a nova terapia é indicada apenas para pacientes que vivem com a doença há mais de cinco anos e que não apresentam resposta adequada aos tratamentos medicamentosos disponíveis. A meta dos cientistas é expandir o grupo para 35 participantes e monitorar os efeitos a longo prazo antes de buscar uma aprovação oficial. Embora a cura ainda não seja uma realidade imediata, os pesquisadores enfatizam que este é um passo decisivo e pretendem aprimorar a técnica para atingir outras regiões cerebrais afetadas.

Perfil Brasil
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